quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sophia




Sophia

Sofis

Tripinha

Sapeca, viva, muito viva, líder nata - mas não necessariamente dominante - ligeiramente anti-social, muitas vezes preferiu ficar debaixo do edredon a ter que conviver com a “manada” de pequenos pentelhos que vieram viver ao seu redor... não tinha muita paciência com esse bando de principiantes ...

Gênio difícil e naturalmente estressadinha, jamais deixava alguém lhe pegar no colo, quando queria vinha e se aninhava, mas aaiii de quem tentasse pegá-la, levava uma bela patadinha e se fosse muito lento, de brinde uma mordidinha.

Sempre adorou dormir junto, em local muito específico, bem o sabem todos aqueles que gozaram do prazer da sua companhia nas horas de sono.

Extremamente charmosa e fotogênica, bastava apenas um clique para destacar sua beleza.

Solidária, sempre emprestava seu calor a quem necessitasse.

Adorava deitar e rolar ao sol.

Toda miudinha, por dentro e por fora.

Historias foram muitas, me ensinou até não poder mais, mesmo hoje quando de súbito teve de partir.

Mostrou-me o quanto podem e devem ser bem cuidados, quanto amor são capazes de nos dar, ensinando que eles, a quem ainda não saiba, são anjos de carne, osso e pêlos que Deus nos confia e permite conviver lado a lado.

Sem nenhuma explicação física, lógica ou fisiológica teve falência renal e, contrariando todos os marcadores seriais de uréia e creatinina, fazendo mestres no assunto exclamar ser impossível ainda estar viva, deixou-me mais uma lição: amar também é abrir mão.

Aninhou-se em confiança em meus braços e foi para o céu minha primogênita felina, na primeira hora de hoje, dia do meu aniversário.

Minha amada primeira filhinha de quatro patas, vai lá com o papai do céu levando consigo todo o meu amor, deixando para mim o presente de seu convívio.

Te amo minha pequenina Sophia.
Mamãe
03.05.2009

(é preciso amar como se não houvesse amanhã, pois se você parar para pensar, na verdade não há)


p.s.: fui tentar aprender a desenhar com o objetivo de tentar pintar meus gatos, mas ainda não cheguei lá...

domingo, 7 de setembro de 2008

Mensagem Subliminar...


Primeiro me disseram que eu sentiria UM RARO PRAZER, porque o IMPORTANTE É TER CHARME, que O SUCESSO viria de UM SABOR QUE CONQUISTOU O BRASIL. Disseram-me que ALGUMA COISA A GENTE TEM EM COMUM e, ainda, chamaram-me: VENHA PARA ONDE ESTÁ O SABOR pois, afinal, ALGUNS HOMENS FAZEM O QUE OUTROS APENAS SONHAM, posto que o que importa mesmo é que você LEVE VANTAGEM EM TUDO, CERTO?

Fui lá, pulei de cabeça e hoje já não consigo mais imaginar minha pobre vida sem aquela formosa cortininha de fumaça que verte pelos vãos dos meus dedos.

Estava tudo bem, podíamos fumar durante a aula, durante as provas – ríamos quando algum incomodado insistia em nos azucrinar – era divertido e relaxante...

Aos poucos os incomodados começaram a ganhar peso e força pautados em leis e campanhas e nós, até mesmo para não sermos segregados de nossos empregos passamos a ter que repensar aquela teoria toda do SUCESSO e PRAZER...

Detalhe, falei aqui dos slogans expressos que ficaram famosos, tanto que não preciso mencionar nenhuma marca que todos saberão a que me refiro, mas alguém aqui lembra dos lindos desenhos no filtro daquele cigarro com ares femininos? (afinal ELLA SOU EU) E a delicadeza daquele outro mais fininho que o normal (aliás dois! um fino e um finíssimo – O FINO QUE SATISFAZ), nem vou falar dos vídeos incríveis e a trilha sonora “AO SUCESSO” e a “NO LIMITS” numa época que não era moda todo mundo falar inglês mas já éramos verdadeiros “paga-pau” dos americanos do norte ... Sentíamo-nos verdadeiros surfistas só em portar uma carteira daquele hollywwodiano...

Isso tudo circunscrito num contexto de muita apelação nos filmes e novelas... ah sim, e a famosa Formula 1 que, insistentemente, ainda consegue estampar algumas marcas...

Passei por algumas tentativas frustradas de parar de fumar, numa delas engordei 8 quilos em 15 dias, numa outra, com acompanhamento médico, psicológico e adesivos quase morri de hipertensão e quando precisei o “suporte” faltou...

Hoje estamos oprimidos e não podemos mais fumar em lugar nenhum e os políticos e governantes, nessa tremenda “moda” anti-tabaco, vão lançando uma lei atrás da outra e daqui a pouco seremos multados até por fumar dirigindo ou mesmo dentro da nossa própria casa.

Pergunto: Sou de uma geração que nasceu e cresceu sendo impregnada pela idéia do fumo, pela boa idéia diga-se! Sou dependente química e psicológica do cigarro. A quem eu processo? O governo e os fabricantes?

Parar já desisti, quero pelo menos ter o direito de fumar em paz!

Sempre penso, incomoda porque faz fumaça, faz mal à minha saúde, mas e o álcool? Quando eu fumo não dou vexame, não agrido ninguém e não perco minhas faculdades... Por que é que continua passando propaganda de bebida alcoólica? Será que ninguém sabe que quem é alcoólatra só precisa de uma gota, não adianta a maldita da moderação?

Só pra registrar o abuso:

ALMADÉN: o vinho que tem alma até no nome;

ANTÁRTICA: a cerveja da boa;

BOHEMIA: Há 150 anos o mesmo prazer;

BRAHMA: refresca até pensamento e, O Brasil conquistando o mundo;

CAMPARI: só ele é assim;

CARACU: energia e muito sabor e, forte e gostosa!;

NOVA SCHIN: experimenta! Experimenta!;

CHANDON: a vida borbulha com Chandon;

DREHER: deu duro? Tome um dreher;

ORLOFF: pense em você amanhã, exija Orloff hoje!;

PIRASSUNUNGA 51: Uma boa idéia!;

SAGATIBA: a cachaça além da cachaça

SKOL: a cerveja que desce redondo;

TEACHER'S: a única regra é reunir os amigos;

Etc etc etc

Ah... façam-me o favor! Bando de hipócritas!

Vamos fazer campanhas de conscientização para que não surjam novos fumantes e bebuns e deixem os já existentes em paz!


(imagem: grafite, trabalhando com texturas: metal - O Pensador fumante)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O Corpo


Condenaram, condenei... mais até do que deveria...
O corpo reflete a alma...
Amor, dor, felicidade, tristeza, solidão, união
Tudo vem...
Sol ou lua, dia ou noite
Tudo passa e vai...
O que fica são cicatrizes
Troféis de alguma conquista ou perda
Olhe no fundo dos olhos, lá não existem palavras ditas ao vento...
Viu? Então, jamais esquecerá!
As cicatrizes são lembretes para seus donos e adornos para os espectadores.
O corpo vai, a alma estará onde quiser
Neste lapso, do desencontro entre um e outro, a maioria das marcações acontecem
O porquê do lapso acontecer descobrirá no dia da ferida e nunca esquecerá graças a ela: a marcação.
E assim, chegará o tempo que nada mais precisará ser dito ou calado, será somente lembrar...

(Imagem: O Corpo - grafite - 27/10/2005)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Flor do perdão


Espanca Espanca Espanca
Todo mundo te insultou, declaravas apenas amor
Amor ao teu irmão
Eu também te violentei, com os olhos do preconceito
Quem sou eu agora para não perdoar aos demais?
Falamos a mesma língua, através da cortina de fumaça
Talvez isso faça arder os olhos alfabéticos...
Quanto mais exalamos, mais turva fica a visão
Daqueles que passam
E julgam-nos com disposição
Após passar pelo sobressalto da mesma sorte, voltei aos teus e reli um a um
Nenhuma mácula percebi quando a ele te referias
Peço-te, oh musa inspiradora, perdoa esta alma iniciante
E aceita este texto sem nenhuma métrica ou rima, como uma Flor
Uma bela Flor do pedido de perdão
Não é que não derramemos nosso leite sobre os amantes, não é isso
Mas ao fazermos sem ponto ou vírgula
Causamos um lusco-fusco nas emoções de tais ouvintes
Que sem saber como desvendar, sem dó ou piedade, arremessam-nos suas pedras pontiagudas
E atiram-nos na fogueira de suas próprias vaidades incestuosas


(Imagem- texturas com grafite: Pedra - 22/11/2005)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Relicário

Vou me mostrando a cada um como querem ser vistos...

Se me como rainha, é exatamente isso que deveria buscar em você.

Se me como um ser ignóbil, talvez seja exatamente isso que você é.

Este era um de meus segredos que agora revelo...

De pronto pergunto: Por que se revela um segredo?

Eis uma resposta que para cada um é tão particular quanto o que se me .

Confesso que a confusão maior se deu quando, ao exibir meus dotes, encontrei eco na minha alma, estes maior cuidado despertam, pois podem ser aqueles que lhe fazem saltar para fora de si mesmo e, calma, não é bem assim...

Sacie-lhes a fome e verá o quanto se modificam

São todos passageiros...


(texto escrito em 01/07/2008 – posfácio necessário: Eu nunca sei porque escrevo, só sei que escrevo, principalmente se estiver ligada a alguém, pois é como se eu absorvesse tudo da alma da pessoa, independentemente do que ela diz ou faz, parece predição)



"E- não esquecer que a estrutura do átomo não é vista
mas sabe-se dela.

Sei de muita coisa que não vi.
E vós também.
Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar.
Acreditar chorando."
........................................................................(Clarice Lispector)


terça-feira, 22 de julho de 2008

Com café e com afeto

A tristeza é como uma doença da alma que pega no corpo
Chora a alma e, mesmo que seu corpo tente ignorar, verterá em seus olhos como um mal-estar, por vezes, como água.
O abatimento será inevitável e pensará que se está doente sem saber exatamente do quê.
Ao mesmo tempo, a felicidade é capaz de rejuvenescer o casulo, fazer a pele brilhar e todos perguntarem o que foi que lhe aconteceu.
E as marcações? Pensamos por vezes não ter nada e, ao caminhar, percebemos o quanto fomos marcados e demarcados
Corpo e Alma
Cheiros
Manias
Gracejos
Detalhezinhos
Promessas
Não tenho nada além de pedra e pedra, embalagem vazia e embalagem pela metade, hieróglifos e muitos sonhos e marcações
Na cafeomância, hoje meu café tem outro gosto e significado, se misturo leite então, fica quase insuportável, nem falarei do barulhinho emitido pela térmica ao gritar seu nome...
Meu leito não é mais meu, aliás, sem saber me devolveu
Meu próprio cheiro já se confundiu com o seu
Quem foi que me deu autorização para amar assim?
Que ela lhe fale aos ouvidos...

(texto escrito em 12/07/2008, 8.29h)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ter, poder

Repetia-se diariamente na escola infantil uma daquelas declamações que somos obrigados e que se diz sem entender e saber o que significa, apenas como sacrifício obrigatório: “Uns têm e não podem, outros podem e não têm, nós que temos e podemos damos graças a Deus, obrigado papai do céu pelo lanchinho que vamos tomar!” Dito isso estavam todos liberados a desembestarem rumo à fila...
Confesso que já naquela época esperava a multidão se dissipar para chegar a minha vez, sempre neste intervalo, entre a multidão e a minha vez, ficava repetindo em pensamento aquele pré-castigo necessário à hora do lance... Uns têm e não podem, outros podem e não têm... Não me fazia nenhum sentido e, só recentemente entendi o que significava aquele mantra...
Vejo que em tudo na vida acontece uma situação ou outra e que, quando as duas se unem não necessariamente se está com apetite para, era o que geralmente acontecia na hora do lanche da escola, mas sempre me via obrigada a comer porque não teria outra hora para fazer aquilo.
Ao longo da vida, entretanto, ganha-se mais um ingrediente para decidir se quer e vai fazer algo quando a dúplice aliança entre o ter e o poder se fundem... É chegada então a tríplice: ter, poder e querer. E, assim, cada vez mais raras são as atitudes. Nem mesmo a fome do corpo ou da alma resolvem isso, é preciso ter, poder e querer...