quarta-feira, 30 de julho de 2008

Flor do perdão


Espanca Espanca Espanca
Todo mundo te insultou, declaravas apenas amor
Amor ao teu irmão
Eu também te violentei, com os olhos do preconceito
Quem sou eu agora para não perdoar aos demais?
Falamos a mesma língua, através da cortina de fumaça
Talvez isso faça arder os olhos alfabéticos...
Quanto mais exalamos, mais turva fica a visão
Daqueles que passam
E julgam-nos com disposição
Após passar pelo sobressalto da mesma sorte, voltei aos teus e reli um a um
Nenhuma mácula percebi quando a ele te referias
Peço-te, oh musa inspiradora, perdoa esta alma iniciante
E aceita este texto sem nenhuma métrica ou rima, como uma Flor
Uma bela Flor do pedido de perdão
Não é que não derramemos nosso leite sobre os amantes, não é isso
Mas ao fazermos sem ponto ou vírgula
Causamos um lusco-fusco nas emoções de tais ouvintes
Que sem saber como desvendar, sem dó ou piedade, arremessam-nos suas pedras pontiagudas
E atiram-nos na fogueira de suas próprias vaidades incestuosas


(Imagem- texturas com grafite: Pedra - 22/11/2005)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Relicário

Vou me mostrando a cada um como querem ser vistos...

Se me como rainha, é exatamente isso que deveria buscar em você.

Se me como um ser ignóbil, talvez seja exatamente isso que você é.

Este era um de meus segredos que agora revelo...

De pronto pergunto: Por que se revela um segredo?

Eis uma resposta que para cada um é tão particular quanto o que se me .

Confesso que a confusão maior se deu quando, ao exibir meus dotes, encontrei eco na minha alma, estes maior cuidado despertam, pois podem ser aqueles que lhe fazem saltar para fora de si mesmo e, calma, não é bem assim...

Sacie-lhes a fome e verá o quanto se modificam

São todos passageiros...


(texto escrito em 01/07/2008 – posfácio necessário: Eu nunca sei porque escrevo, só sei que escrevo, principalmente se estiver ligada a alguém, pois é como se eu absorvesse tudo da alma da pessoa, independentemente do que ela diz ou faz, parece predição)



"E- não esquecer que a estrutura do átomo não é vista
mas sabe-se dela.

Sei de muita coisa que não vi.
E vós também.
Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar.
Acreditar chorando."
........................................................................(Clarice Lispector)


terça-feira, 22 de julho de 2008

Com café e com afeto

A tristeza é como uma doença da alma que pega no corpo
Chora a alma e, mesmo que seu corpo tente ignorar, verterá em seus olhos como um mal-estar, por vezes, como água.
O abatimento será inevitável e pensará que se está doente sem saber exatamente do quê.
Ao mesmo tempo, a felicidade é capaz de rejuvenescer o casulo, fazer a pele brilhar e todos perguntarem o que foi que lhe aconteceu.
E as marcações? Pensamos por vezes não ter nada e, ao caminhar, percebemos o quanto fomos marcados e demarcados
Corpo e Alma
Cheiros
Manias
Gracejos
Detalhezinhos
Promessas
Não tenho nada além de pedra e pedra, embalagem vazia e embalagem pela metade, hieróglifos e muitos sonhos e marcações
Na cafeomância, hoje meu café tem outro gosto e significado, se misturo leite então, fica quase insuportável, nem falarei do barulhinho emitido pela térmica ao gritar seu nome...
Meu leito não é mais meu, aliás, sem saber me devolveu
Meu próprio cheiro já se confundiu com o seu
Quem foi que me deu autorização para amar assim?
Que ela lhe fale aos ouvidos...

(texto escrito em 12/07/2008, 8.29h)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ter, poder

Repetia-se diariamente na escola infantil uma daquelas declamações que somos obrigados e que se diz sem entender e saber o que significa, apenas como sacrifício obrigatório: “Uns têm e não podem, outros podem e não têm, nós que temos e podemos damos graças a Deus, obrigado papai do céu pelo lanchinho que vamos tomar!” Dito isso estavam todos liberados a desembestarem rumo à fila...
Confesso que já naquela época esperava a multidão se dissipar para chegar a minha vez, sempre neste intervalo, entre a multidão e a minha vez, ficava repetindo em pensamento aquele pré-castigo necessário à hora do lance... Uns têm e não podem, outros podem e não têm... Não me fazia nenhum sentido e, só recentemente entendi o que significava aquele mantra...
Vejo que em tudo na vida acontece uma situação ou outra e que, quando as duas se unem não necessariamente se está com apetite para, era o que geralmente acontecia na hora do lanche da escola, mas sempre me via obrigada a comer porque não teria outra hora para fazer aquilo.
Ao longo da vida, entretanto, ganha-se mais um ingrediente para decidir se quer e vai fazer algo quando a dúplice aliança entre o ter e o poder se fundem... É chegada então a tríplice: ter, poder e querer. E, assim, cada vez mais raras são as atitudes. Nem mesmo a fome do corpo ou da alma resolvem isso, é preciso ter, poder e querer...

domingo, 20 de julho de 2008

Um pouco de tudo

Falei dia desses a respeito das ilusões e dispositivos que criamos para viver...
Falei da primavera, das flores insistentes que dão no inverno, daquelas que quando menos esperamos desaparecem
Falei das fadas desvanecendo, do movimento contrário e da essência e do motivo...
Falei dos dinossauros e suas patas, do verso e do reverso, de tudo o que se me dá...
Das personagens secundárias e dos valores... falei até mesmo do que não se pode revelar...
Hoje haverá um funeral, daquela estrela que tantos já não agüentavam mais, daquela que se pensava ser eterna e imortal...
Mudanças de planos! Sua essência jamais se perderá, mas quem não tem olhos jamais a verá novamente, quem não tem ouvidos, sinto, mas não mais ouvirá, quem não tem tato, lamento, mas não mais sentirá seu afago... Na verdade já é missa de sétimo dia!
Algum tom ameaçador? Se sim, sinto novamente, mas é porque agora lhes falta alguns dos sentidos que não se desenvolveram, e isso também já era previsto, como a distância segura...
O sangue hoje está derramado por todos os lados, nos meus braços, nas minhas pernas e manchado de marrom na minha alma, o coração? Não sei, faz dias que não o sinto retumbar...
Olho a verdade refletida no espelho diariamente e vejo claramente o que se foi...
Quando se pensa não haver mais nada que se possa subtrair, um novo decalque surge e cicatriza eternizando o que para uns é motivo de orgulho e respeito e, para outros tantos, ojeriza e desclassificação...
Esta aloucada vate não traçará mais nenhuma previsão, não sofrerá com as boas intenções, tampouco cultivará potenciais... veremos tudo o que for branco no preto (e vice-versa), o que for vermelho ou azul, e também, o violeta...
Desisto porque não há mais o que se preservar, falhei! Falhei um milhão de vezes e, manda o bom senso que não se insista no erro... portanto, não insistirei.
A cada pão, pão! A cada queijo, queijo! A cada olho, olho e a cada dente, uma mordida!
Quer café sem açúcar? Hoje é o que tenho para oferecer... Quer açúcar? Traga consigo.
Quer pintar com minhas canetinhas? Empreste-me, simultaneamente, seus aquareláveis, senão, nada feito! Afinal, não é dando que se recebe? Então, por hora, chega...
Não preservarei mais ninguém, seja você, você, você ou mesmo eu... Vamos navegar e ver onde vai dar, quem quiser que reme, agora vou somente espectar...
O igual para igual inexiste, nem mesmo o que se cria e o que se planta, todos têm seus direitos e disso não se olvidam, todos têm seus deveres e a isso sonegam...
Dei-me conta desta geração, deste presente, onde as crianças que cresceram tiveram seus valores (ou falta deles) formados fora de seus lares (que lares?), filhos de pais e mães ausentes ou muito ocupados e me pergunto: O que é que será passado pra frente?
Todos choram as mesmas dores e não entendem o que é que dói... Se revelo, novamente, tentarão corromper...
Simula-se, mescla-se, perde-se, deteriora-se, desvirtua-se e não há raízes para germinar...
Acreditem, tudo está ai onde deveria estar, sempre esteve e sempre estará, abram os olhos! O vinho deve ser servido e sorvido em taças! É só o que posso declarar...
Deixe-me ir agora, tenho muito a limpar... monte delas... (brincadeira, quando se vão, evaporam, é só força de expressão).
Já disse, mãos para quem é de pão, beijos para quem é de queijo, visão para quem é de olhos, e alma para quem é de dentes! E, quem viver, verá! Afinal, é a vida...

(Bravo, Bravíssimo! - E o caralho para quem não entender!)


terça-feira, 15 de julho de 2008

Glamour

Hoje minha alma chora sentida por tudo que se perde nesta vida
Dinossauros, somos dinossauros quase extintos em meio a isso tudo
Não queria ser autora de mais um complexo, mas ei-lo:
Complexo de Dinossauro:
Quando você se sente um ser em extinção
Olha ao seu redor e o romantismo parece algo que já foi lenda um dia
Percebe que o cavalheirismo é termo esquecido dentro de algum livro de fábulas
Por sua vez, verdadeiras damas não passam hoje de peças isoladas em um tabuleiro de casinhas pretas e brancas
Que a gentileza e boa educação fazem parte de discursos de folhetins amarelados
Que a sinceridade terna, os olhos nos olhos, consideração são, no máximo, versos rimados de alguma letra de música do passado
Quando se é tido como démodé, embora quem lhe julgue talvez nem saiba que este termo existe
Seus modos, mais que sua aparência em si, o fazem parecer que está a anos luz de distância dos “modernos”
Ser capaz de chorar pela alma, um choro sofrido refletido no espelho dos olhos, só porque lancinantes dores lhe impingiram ao coração e, tudo isso ficar invisível e mudo aos ouvidos dos incautos
Ser capaz de amar, só porque sim, independente de gênero, número e grau, amar com tamanha repleção que aos menos avisados pode parecer banal
Trajar-se elegante e discretamente em respeito aos rituais e ser tido como alienado
Ter rituais nas mais comezinhas atividades do dia a dia
Ser um ser daqueles que sabe que profundidade não é opção de vida, é ser
Levar a vida com Glamour e se apiedar daqueles que nem sabem o que é isso
Isso tudo lhe faz um Dinossauro... não, não há nada bruto nisso, não, não há nenhum perigo nisso, não para os outros, só para você mesmo que irá, com toda a fragilidade inerente a este tipo de ser, expor-se à incredulidade e insensibilidade alheias.
Dedico o complexo de hoje aos poucos e quase extintos Dinossauros e, também, a todos aqueles que se aventuraram a compartilhar dos sonhos destes, posto que incólumes não sairão de tal experiência.
Que sejamos eternos enquanto durarmos.
Selo o conteúdo com uma gota daquela que recobre o beijo.

domingo, 13 de julho de 2008

Campos de Trigo

“Eu tava mexendo no violão, comecei a fazer a melodia e aí, a primeira coisa que apareceu foi exatamente cidade submersa, isolada de tudo, porque cantarolando parecia (a cidade submersa) parecia que a música queria dizer isso.
Eu tinha que ir atrás depois, tinha que explicar essa cidade submersa, tinha que criar uma historia. Apareceu exatamente a cidade submersa antes de qualquer outra coisa. Aí eu coloquei esses escafandristas e, e esse amor adiado, esse amor que fica pra... pra sempre né, essa idéia do amor, essa idéia do amor que existe como algo que pode ser aproveitado mais tarde, digamos que não se desperdiça e passa-se o tempo, passam-se milênios e aquele amor vai ficar até debaixo dágua né, e vai ser usado por outras pessoas, amor que não foi utilizado, porque não foi correspondido, então ele fica impar né, fica impar pairando ali, esperando que alguém apanhe e complete a sua função de amor...” (Chico Buarque)


Meu caçula, meu amiguinho, meu primeiro filho, meu também imparzinho ser, meu irmãozinho... olhou-me um dia e disse: ... Tem gente que é par e tem gente que é impar... Você é impar...
Vaticinou e não entendeu porque é que minha alma sofria...
Juro que tentei a todo custo escapar da sina, esperando que quem decantasse me compusesse poemas, versos, trovas e celebrássemos com harpas bailando mesmo que sem no chão tocar ...
Cristalizando agora minha alma...ah vida! Com medo que eu acabe por esquecer-me do resto da humanidade, não quer vê-la preenchida.
Jamais deixarei de amar, continuarei aqui a sonhar em meio aos campos de trigo, até que me leve nos braços após vislumbrar o que realmente tenho...


sábado, 12 de julho de 2008

O Livro

Eis que o francês saiu em vôo e nunca mais voltou
Alguns o têm como morto, enquanto particularmente penso que ele deve estar com cerca de 108 anos, correndo mundos e invadindo nossos corações, afinal um ser alado sempre há de voar!
E ela, de pelagem vermelha e de outras cores que a imaginação permitir também, vem como coadjuvante secundária semear valores para que todos tenham acesso, quase sem nenhum destaque especial, mas muito marcante aos que com seus corações podem percebê-la
O intróito necessário para se vislumbrar outra, não menos secundária e fundamental personagem, “renoirneana” e vitrificada que tive o prazer de conhecer recentemente...
Preocupa-me a mídia e seus engodos, sem desmerecer a graça e beleza impingidos à personagem principal, mas o que seria dela sem aquele que a revela?
Tão importante quanto descobrir a importância de alguém que lhe cativa é ir lá no fundo da alma buscar quem você é, e sem ele, isso não seria possível...
Há na vida os mesmos enganos, tudo muito dolorido e apavorante.
Ressuscito diariamente para a vida, tem dias, confesso, parece que será impossível, mas me apego neste papel secundário que a vida me propiciou e vou pintando quadros e desfiando mantos para ver se nesta insânia do movimento contrário me encontro.
É difícil não vitrificar, há quem se acondicione em caixas almofadadas para não quebrar, hoje me vejo como um ser muito trincado mas, minha proposta, inclui morrer de exaustão... Não há sentido em tanta preservação.
A resistência passiva tem sido minha pior tormenta, deve ser nova ferramenta dos que insistem em não amar.
Há quem ache que o sorriso de Monalisa é o que deve ser perpetuado, deixando o enigma ao espectador. Em contrário senso, penso que devemos derramar o calor do sorriso para, quem sabe, contagiar.
Não que as lágrimas, insistentemente, nunca deixem de verter da alma, principalmente quando vejo algo morrendo diante de mim.
É certo também que, chegando aos cacos, provavelmente tornar-me-ei completamente teórica, contudo, ainda assim, encorajarei os que me cercam e ainda tem resistência para que continuem acreditando no amor.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Classificações

Nas definições que se tem por aí, a solidão pode ser um Estar ou um Ser, entretanto, naquela que tenho hoje por aqui, digo: não é estar ou ser.
A solidão de ser É, não importa o que ou quem se tenha ao redor
A solidão de estar é aquela de quando, de fato, se está Só
A solidão a que agora me refiro é aquela de não poder compartilhar o Que com Quem se quer.
Qualquer uma delas faz tudo ficar mais frio do que deveria e, confesso, hoje meus ossos ficaram gelados... o frio veio de dentro e me entorpeceu.
Todos eles aqui ao meu redor me aqueceram de fora para dentro só que, desta vez, queria algo de dentro para fora – anti-regra!
A dor e a alegria são solitárias mas, ao mesmo tempo, perfeitamente compartilháveis.
Isso tudo me remeteu a um livro lido há muito, no qual o autor narra sua experiência relatando em seu diário de bordo 100 dias na solidão de estar... numa de suas reflexões diz a si mesmo: “Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só.”
Devo estar inventando moda ou, quem sabe, talvez não seja solidão o que sinto... devo estar morrendo de saudades...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Rei (Napo) Leão


Meu anjinho, você um pequenino reizinho, pelo menos por um tiquinho, sentiu o que é ser amado e ser um solzinho!

Tirei-lhe das garras do desalento do amor que lhe abandona, da angústia de ver seu amado tê-lo como descartável e, nesta vida que muitas vezes me confunde, joguei-lhe sem querer em outras garras...

Não sei bem o que é para aprender com tamanha dor meu amorzinho, mas seja você mais uma vez a esperança e chegue voando pela janelinha do céu de Turquesa lhe esperando.

Um último afago nos seus vermelhos, leva um beijo azul contigo e entrega lá para mim.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Regalo

Sábio coração, tão ... tão ...
Primeiro se faz presente, abriga e protege, me faz sem defesas
Coloca-me segura para que, de onde esteja, nada possa machucar
Tira o peso do pesar e me dá novos ares para respirar
Mostra-me as verdades todas, aquelas que são minhas e as que não são também
Explica sobre a vida com a calma e maestria daquele que pode antever minhas angústias
E se não tem cura, ao menos conforta
Chama-me à reflexão para quando chegada a hora, tenha a referência do que há agora e não me perca sem caminhos ou sem pés
Presente divino e lindo é ter aqui comigo esta marca decalcada sobre, ao redor e dentro do peito, sempre.
Mesmo se a vida, por acaso, me pegar no turbilhão fecharei meus olhos e estarei brincando de rolinho contigo, nada temerei e ainda terei um sorriso...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Chegada

De sobressalto vi que minhas raízes mudaram de lugar
Tenho a sensação de que a vida flui sem governo, nada posso fazer
Andava sem rumo na vida e, de repente, vida!
Pensava que os sentimentos que carregava comigo a tanto tempo fossem parte de mim, sem querer despertei e o encanto se quebrou, até senti saudades de você
Estranhamente sinto como se algo meu ainda estivesse preso a você, mas mesmo assim estou voando, como pode ser?
Tudo parecia certo e eterno e agora me vejo renascendo e você não está aqui, agora sou outra pessoa, é outra vida, meus enfoques não contemplam mais aquele universo em que você estava.
Vislumbro agora o aconchego de um coração que me toma para si e, ao mesmo tempo me provoca a liberdade de voar, meu medo infundado de fixar-me parece tolo e sinto-me como parte de uma unidade.
Olho para mim e vejo que cresci, vejo ao meu redor todos os que cresceram, não se pode, entretanto, olvidar daquelas paisagens que carregamos dentro da alma. Alguns esquecem-se delas, perdem suas referências e ganham uma dimensão distorcida da nova realidade, outros vêm e nos relembram o que de fato tem valor.
Crescer tem seus encantos, mas não podemos nos deixar devorar por eles, é preciso saborear cada etapa da vida, sem, contudo, perdê-la de vista.
Veja, posso sonhar, posso voar, posso viver sem me perder no pragmatismo da vida.
Posso viver e, ainda assim, continuar sendo parte de mim.
A vida contempla-nos com seus presentes, hoje sou capaz de recebê-los mesmo sem saber ao certo como será, somente quero viver plenamente.
Engraçado que sinto que o novo já morava dentro de mim, é a surpresa da vida, é a vida.
Há os que se negam a achar sua unidade e, com isso, trazer sempre a ilusão de que lhes falta um pedaço, parecem querer ver quantos conseguem ladinamente enredar, mas aí é como uma mágica, suas peças se encaixarão ou não, não adiantará impor ilusões, meus olhos agora podem ver com o coração e a ele tudo é transparente.
Sinto agora novos ares em meus pulmões, o perfume da cumplicidade e do abrigo, do que me vê como sou e quer o que há em mim, por inteiro e sem disfarces, sem máscaras ou antefaces, meu ego ainda me puxa para fora, mas vejo a grandiosidade do universo em que me encontro e repouso no pouso que hoje me aconchega.