quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sopro de vida

Procuro antever possíveis pedras em seus caminhos.
Quero removê-las mas, por vezes, eu mesma tropeço e vou de boca...
O medo de ver o sangue jorrar da alma, cortada pelas navalhas dos incautos
Daquele vermelho que, por vezes, suja-me as mãos...
Preciso ver brilho em seus olhos, não daqueles encerados pelas lágrimas, daqueles que vem de dentro, da alegria, da felicidade, de ser.
Que papel cruel é este que nos encarregaram, ter-lhes de soprá-los aos céus como guarda-chuvinhas da esperança...
É certo e conforta que tantas vezes, ao final da tarde, junto com os raios do poente, somos contemplados por ela, é a vida.
Ah meus amados bailarinos alados, pudesse eu amparar seus pousos sempre no macio da seda, lagarta não sou, desfio rapidamente meu manto na tentativa de fazer-lhes ninho, mas tenho somente 4 espinhos.
Aqui, ao redor, há de haver sempre algumas pétalas, hora caídas, hora arrancadas, mas sempre macias para lhes abrigar.
Abençoe Criador estas minhas amadas Criaturas.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Crisol

Neste laboratório que é a vida vou experimentando o que se apresenta e, no crisol tudo misturo e depuro o que há em você.
Não pense, ou pense! Ah não, nem me conta, não disfarce! Ah....
Boas surpresas insistem em diluir o que é decepção.
Queria falar do paladar amargo dos dissabores, mas cheguei em tal ponto que para aborrecer-me tem que ser bem mais do que um jiló.
Ah que bom!
A resistência passiva dos seres, daqueles que deveriam estar ao meu redor...
Subtraem-me suas presenças de forma a desequilibrar meus sentidos e o que estava prestes a derramar.
Ei, vem comigo? Vamos descer a passarela?
De A a Z vou caminhando, sob o enfoque dos holofotes, palmas para ela que ela merece!
Mas e vocês? Por que não estão aqui?
Oi amigo! Toma uma cerveja!
Perde-se o gosto e o momento e, eu que queria perder-me em conjecturas de um dilema inexistente, somente para brincar com este estado de supressão de sentidos, levei apenas os decalques daquela que já homenageei um dia para ver se de mim a espantava.
Ei por que você não está aqui onde disse que estaria?
Não queria estar com sono, mas cônsona, rimando com você.
Sou adjetivada de tantas formas que meu substantivo se dilui...
Ei você? Onde foi parar?
Creolina não! Cândida não! Clorexidina não! E ai? Vai uma oxigenada?
Vamos pintar e bordar! Quem vai querer?
Ela com a crueldade que lhe é peculiar, para uns a liberação de um incômodo para outros uma tatuagem roxa, a bota sabota a sabura.
Oi, que alegria encontrar vocês!
Tem dias que a gente costura, tem dias que a gente espeta!
Ah, você deveria me proteger!
Espeto! Me machuco! Meu salto agulha tem dois gumes!
Abra o olho menina, senão a multidão te devora! Venham! Vamos comigo!
A bela e a fera, ferida...
Gás não! Arde e sufoca seu moço!
Prefiro ser o lobo mau!
Saiam já daqui!
Oi, cheguei!
Abraço o Minuano, ele me envolve, me assopra e me aquece desse frio aqui de fora!

Complexo de

Complexos:

Segundo o Aurélio:
Que abrange ou encerra muitos elementos, ou partes. Observável sob diferentes aspectos. Confuso, complicado, intrincado. Grupo ou conjunto de coisas, fatos ou circunstâncias que têm ligação ou nexo entre si. Conjunto de representações ou idéias estruturadas e caracterizadas por forte impregnação emocional, total ou parcialmente reprimidas, e que determinam as atitudes do um indivíduo, seu comportamento, seus sonhos etc.

(Veja só: é tão complicado para explicar que existe contradição na definição, mas tudo bem)

(Devo entender que ser “complexo” é ser reprimido? E o que eu faço sendo reprimido é um complexo? Mas o reprimido faz alguma coisa? Ah sei lá!!!)

Seja lá como for, dedico estas definições àqueles que disseram que o único complexo que existe é o de Golgi e, ainda assim, não se lembravam pra que servia! Viva os libertários!!! Viva, viva, viva!!!


De Golgi:
Lembre-se do Complexo de Golgi como um correio. Exatamente como a carta é levada ao correio para ser enviada a outra localidade, as proteínas e lipídios são transportados para o golgi para serem transportados para outras localidades do corpo.
(fonte: http://www.icb.ufmg.br/prodabi/grupo6/golgi.html)

De Édipo:
O Complexo de Édipo (3-5 anos de idade) é uma peculiar constelação de desejos amorosos e hostis que a criança vivencia em relação aos seus pais no pico da fase fálica.
Em sua forma positiva, o rival é o genitor do mesmo sexo e a criança deseja uma união com o genitor do sexo oposto.
Em sua forma negativa, o rival é o genitor do sexo oposto, enquanto que o genitor do mesmo sexo é o objeto de amor.
Em sua forma completa, num nível inconsciente, ambas as formas coexistem devido à ambivalência da criança e sua necessidade de proteção. A relação dialética entre ambas as formas vai determinar se o desejo humano seguirá uma orientação homo ou heterossexual.
Nessa estrutura triangular a interação entre os desejos inconscientes dos pais e as pulsões da criança desempenha papel fundamental na constituição do cenário edípico.
A proibição contra o incesto é uma lei universal nas mais variadas culturas. O destino de Hamlet mostra que mesmo um triunfo edipiano disfarçado pode tornar-se uma sombra ameaçadora, devido à trágica "gratificação" de seu desejo inconsciente.
O declínio do complexo de Édipo e a entrada no período de latência estão relacionados à ameaça de castração (meninos) e ao desejo de ter um bebê (meninas). A resolução do complexo, após a puberdade, é possível através da escolha de um substituto adequado para o objeto de amor.
O Complexo de Édipo mantém sua função de um organizador inconsciente durante toda a vida e forma um elo indissolúvel entre o Desejo e a Lei
(fonte: http://www.geocities.com/~mhrowell/complexo_de_edipo.html)

De Cinderela:
Complexo de Cinderela é a ambivalência entre a independência e a necessidade de ser amada. É como se as duas necessidades não pudessem existir, surgindo o conflito entre uma e outra. É a dependência emocional, ou seja, o desejo inconsciente de obter cuidados de outra pessoa (necessidade de dependência) e o medo da independência, de ficar sozinha.
(fonte: http://www1.uol.com.br/vyaestelar/complexo_edipo_cinderela.htm)

De Peter Pan:
A Síndrome de Peter Pan foi aceita em psicologia desde a publicação de um livro escrito em 1983 The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up ou "síndrome do homem que nunca cresce", escrito pelo Dr. Dan Kiley.
No entanto não há evidências de que esta síndrome seja uma doença psicológica real, e por isso não está referenciada nos manuais de transtornos mentais.
Esta síndrome caracteriza-se por determinados comportamentos, imaturos em aspectos comportamentais, psicológicos, sexuais ou sociais.
(fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Peter_Pan)

De Inferioridade/Superioridade
Um complexo de inferioridade, nos campos da psicologia e da psicanálise, é um sentimento de que se é inferior a outrem, de alguma forma. Tal sentimento pode emergir de uma inferioridade imaginada por parte da pessoa afligida. É freqüentemente inconsciente, e pensa-se que leva os indivíduos atingidos à supercompensação, o que resulta em realizações espetaculares, comportamento anti-social, ou ambos. – e vice-versa
(fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_de_inferioridade)
A pessoa portadora de um Complexo de Superioridade está tentando compensar sensações de inferioridade que lhe são inerentes.
(fonte: http://www.infoescola.com/psicologia/complexo-de-superioridade/)

De Urubu:
Quando utilizei essa expressão, estava ma referindo as pessoas que sentem uma atração pelo mórbido.
(fonte: http://www.dotgospel.com/forum/complexo-de-urubu-t5096.html)

De Esquilo:
É o que alguns chamam de "complexo de esquilo", uma mania de armazenar bagulhos como os pequenos roedores estocam nozes em suas tocas. [Ixi, acho que sofro desse hehehehe]

(fonte: http://www.forumpcs.com.br/coluna.php?b=115327)

Outros tantos:
De vira-latas, de Feiúra, de Hulk, de Bela, de Piscinas, de Lazer, de Saúde, de Vitaminas B, de Electra, de Bibliotecas, de Limpeza, de Números, de Tênis, de Férias, de Di, de Edifícios, de Amélia, de Othelo, de Inclusão, de Favelas, de Pinoquio, de Cristal, de Mameluco, de Napoleão, de Perseguição, de Reabilitação, de Sanção, de Deus , de Pesquisas no Google etc.

E, para fechar:

De Complexidade:
O erro dos psicólogos é acreditar que as pessoas são mais complexas do que eles próprios.
(fonte: http://fdr.apostos.com/2006/05/complexo_de_complexidade.html)

Agora, dedique uma canção a quem você ama:

Canta, dança, sem parar
Sobe, desce, como quiser
Sonha, vive, como eu
Pula, grita, ô ô ô ô ô ô...

Não segure muito teus instintos
Porque isso não é natural
Sai do sério, fala Alto, dá um grito forte,
Quando queira evitar
É saudável, relaxante, recupera
E faz bem a cabeça
Por isso canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô

Vá em frente, entra numa boa Porque a vida é uma festa
Não console, não domine, não modere
Tudo isso faz muito mal
Deixe que a mente se relaxe
Faça o que mandar o coração
Por isso canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

Não se reprima
Não se reprima
Pode gritar

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

Dança, canta, sobe, desce, vive, corre e pula como eu!

Canta, dança, sem parar
Sobe, desce, como quiser
Sonha, vive, como eu
Pula, grita, ô ô ô ô

Chega de fugir, de se esconder
E de deixar a vida pra depois
Não persiste mais, se o mundo gira,
O tempo corre, nada vai te esperar
Entra de cabeça nos seus sonhos
Só assim você vai ser feliz
Por isso canta, dança, grita, ô ô ô ô ô ô

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

Não se reprima
Não se reprima
Pode gritar

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Respingo de colorido

Da doçura do ar que adentra meus pulmões, sinto a paz...
Brinco agora com a bailarina branca nos raios de sol, poeirinhas brilhantes flutuam
Fecho meus olhos e brilhos de vaivém que me distraem, nessa calmaria flutuo.
Uma frestinha se abre, deixando passar a luz do seu olhar ao meu encontro
Tal como brisa fresca da manhã polinizou meus sonhos
A vida se abastece de vida e mais pedacinhos de vida
Seu semblante cheio de sonhos, acalma-me como um remanso, encontro apoio mesmo que me carregue no colo a plenitude
Longe ou perto, tanto faz, em algum momento fez-se a intersecção neste tabuleiro de casinhas brancas e pretas
Sigo agora para lá e você para acolá, tudo bem, é a vida e seus rumos.
Levamos conosco o que nunca ninguém e nada há de nos tirar e sabemos que crescemos o que nos cabia juntos, agora não somos mais papeis em branco, vamos colorindo nossas vidas e o mundo.

Confusão, turbilhão

Mistura mistura mistura
para frente, para trás, para um lado e para o outro
gira gira gira
para cima para baixo
enrola
junta tudo espalha
Mistura mistura mistura
Se não confundo, me confundo!
Denso, intenso, robusto, calórico
Insano, puro, enjoativo, estimulante
Salgado, doce, acre e apimentado
Infinito, acaba comigo
Um montão de muito me pega no despreparo, esse jeito de ser arrasa. Há quem diga que isso vem lá do outro lado, se for, de fato não temos a menor noção ou esquecemos do quão frágil é a carne.
Tanta energia e inércia, estigmas no corpo e na alma, eterna revolução dos sentidos, por vezes quase me sufoca.
Atormentados sonhos e, antes deles, a insônia – daquela dolorida e enlouquecedora – daquelas insanas que te levam ao manicômio da alma.
Gavetas de memória funcionam numa estranha sincronia, mexa numa e não saberá nunca o que será remexido. Gatilhos.
Ando arrastando trás de mim uma enorme folha de palmeira, tentando apagar minhas pegadas na areia, sem sucesso.
Um monte de mim dentro de mim, saco sem fundo, muita fome e pouca saciedade, um Quixote sem Sancho, buscando alguma sanidade.
A dor e a ferida revelam-se latentes, não importa em qual gaveta guardemos, pois ao olharmos para as cicatrizes somos remetidos ao tempo e espaço onde se originaram.
Você preso daqui, olhando para ali, nada pode mudar, ao contrário vê que em alguns casos o acaso lhe protegeu e, de toda a forma não poderia evitar. Corre de volta ao presente e vê a mesma sensação do “não sei” e a vida passando correndo sob seus pés.
Como posso ser light se não consigo paz para meditação? Cutuca, cutuca, dá choque, congela, atormenta, acalma, distrai e dorme.

O amor incondicional

Parece belo, na verdade o é.
Pensamos, por vezes, sermos capazes de senti-lo e, minha dúvida agora é: será? A cada dia que passa e a cada dor sentida dentro da minha alma e dentro meu coração mais parece que não.
Para que eu o possa sentir acabo por criar circunstancias condicionantes para que, de algum modo, não doa tanto e isso já é uma condição que derruba o termo incondicional.
Meu parâmetro sempre foi o amor de mãe, talvez seja o que mais se aproxima do conceito, mas não escapa da condição.
Vejamos: Amar incondicionalmente, em tese, seria amar com total despojamento ou necessidade de retribuição. Amar independente de tudo e qualquer coisa. Até aqui perfeito!
O que nos faz amar? Alguma coisa faz, alguma circunstancia, algum eco ou reflexo dentro da gente e isso já é uma condição.
Será que é da natureza humana ou de minha natureza desejar troca? Isso deturpa o amor incondicional, pelo menos aqueles dos folhetins, aqueles narrados pelos poetas?

Na verdade, vasculhando migalhas de pão derrubadas pelo caminho, seguindo uma trilha deixada por meu querido pai, achei um manuscrito que dizia:

"O negócio é assim, isto é ciência, não é invenção minha:
1- Quando somos crianças temos a necessidade imperiosa de receber carinho, ternura e amor!
2 - Quando somos jovens temos necessidade imperiosa de dar, somente dar - não nos preocupa receber!
3 - Quando amadurecemos temos necessidades imperioras iguais de dar e receber em doses iguais, do contrário nossa felicidade vai ao fundo!
4 - Quando estamos na velhice temos novamente a necessidade de receber outra vez como quando eramos criancinhas! E assim é a vida! Assim é que conseguimos alegria em nossas almas.
Nunca devemos odiar, ter medo, desconfiar, ter ciumes, ou desprezar, pois todos esses sentimentos negativos são incompativeis com o amor!
O amor é a unica pista que nos conduz ao aeroporto da felicidade, motivo da gente viver!"



Talvez isso explique minha fase atual...


Precisava dar alguma validade cientifica ao amor incondicional então, passei a misturá-lo com outros sentimentos para ver no que se transformaria e o que sobraria.
O amor incondicional é como o ouro que se liga facilmente a outro metal, a mistura encontrada entretanto pode ser satisfatória ou não, dependendo do que ali se fundiu, mas, ao aquecer novamente é possível desmembrá-lo e ele ainda será o que é.
Amar independente de qualquer coisa, é isso! Não importa quanto a alma sapateie querendo outra coisa, não importa o quanto a carne sofra, não importa o que se tem de volta, ele, o amor incondicional, teimosamente fica!

Botinha Ortopédica



Quem nunca teve um primo, amigo ou coisa que o valha na infância que usava aquela botinha ortopédica? Penso eu que pessoas de "gênio forte" tem os pés chatos! E a chatisse dos pés, por vezes, acaba "pegando" o restante de ser.



Será que o peso das botinhas afeta o humor? Ou será que o fato de todas serem pretas como os antigos "Fords" irrita tão profundamente a alma que os donos das botinhas ortopédicas tornam-se seres virulentos que, ao menor sinal de irritação, lançam decalques nas canelas alheias?

Um chute, seja como for, de pé descalço, de conguinha ou kichute dói muito, mas os de botinha ortopédica ah... esses são dolorosos e inesquecíveis.

Se soubessem a inveja que causam talvez se sentissem menos oprimidos e menos raivosos, ou será que não sabem que o decalque causado por uma botinha ortopédica nenhum outro sapato é capaz de causar na canela de ninguém?

As pessoas, por vezes, sem noção de seus poderes, chutam-nos a canela sem dó nem piedade!

O que me resta agora, senão sair correndo e calçar meu salto agulha? Se costuro ou espeto, ainda não sei!

O bem é o bem, às vezes não lhe cai bem

Água mole em pedra dura...

O que nos faz lutar ou, ao menos, remexer na vida e pensamentos alheios é uma crença tola de que se está vendo algo que vale a pena ser remexido.

Certa vez conheci um garotinho que havia se acostumado a viver sujo, eu lhe dava banho, vestia-lhe roupinhas limpas e, quando acabava de pentear-lhe os cabelos ele saia correndo até o quintal e rolava no chão até ficar sujo de novo.

Dei-lhe muitos banhos, vesti muitas roupinhas limpas e o ritual sempre se repetia. O bem lhe caía como mais uma agressão no meio de tantas que havia sofrido.

Um dia ele desistiu de mim e foi devolvido ao seu mundo. Passado algum tempo notícias me chegaram de que ele já alcançava o registro do chuveiro e havia aprendido a tomar banho sozinho, mesmo voltando a viver naquele ambiente que o havia habituado a viver sujo.

Um misto de felicidade e tristeza me invadiu, felicidade porque o garotinho aprendeu a se sentir bem com a limpeza e a tomar banho sozinho, uma tristeza enorme por não poder sentir o seu cheirinho...

A sacanagem da vida é que ela muitas vezes nos entrega “cangotinhos” encardidos para banhar e, nem sempre nos devolve para “cheirar”.

Sonhei sim...

Noite passada tive um sonho daqueles que não dá vontade de acordar, sonhei com você.
Não havia nenhum efeito pirotécnico típico dos sonhos, nada de efeitos especiais. Havia eu e você, uma cor que variava entre o seu azul e o meu lilás. Havia um abraço, um beijo, um hálito e uma felicidade tão simples que até parece bobagem....

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Carona com Drummond



O cartão perfeito, as pessoas perfeitas, o sentimento perfeito, as emoções perfeitas...
Mas e o momento? E os temores? Os fantasmas? E todos os pequenos detalhes que nos põem em xeque o tempo todo?
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar... (antídoto)
Se o momento não estiver preciso, exato... ah se estiver desigual...
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
Se os temores pegarem carona em algum holofote que os faça parecer maiores do que são com suas sombras enormes nas paredes?
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
Os fantasmas... filhotes hiper desenvolvidos dos temores... simpáticos somente nos desenhos animados... fofinhos? Não só o gasparzinho... Nascidos em outras de nossas vidas e constantemente alimentados por nossa alma ressabiada...
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
E cadê a cumplicidade? Ah, ela ainda é uma menina flor, tão pequena e frágil...como poderia ela nos proteger se ainda não a deixamos crescer?
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
Ficar em pé, não esmorecer, não amargar, não se precipitar no caos dos objetos de não amor, não magoar...
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
Ah Drummond nos ajude! Deu-nos de graça a receita, mas parece tão banal que não causa o efeito que deveria...
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
todos os dias da vida de meia em meia hora de 5 em 5 minutos
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
Mas como amar e acreditar sem o combustível necessário?
Ele está lá. Dentro do peito, transbordando nos olhos, exalando pelos poros e invisível aos incrédulos.
Amo amo amo você! Acredito acredito acredito em você! Respiro dos seus pulmões, reflito-me em seus olhos, transpiro na sua pele e estou aqui.
Você é minha melhor surpresa! Você é meu sonho consciente! Meu maior anseio e meu maior medo. Mas não fujo. Fico. Quero viver você.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Despedida

Agora deixo você ir
Gostaria que ficasse, mas eis aí algo que não posso lhe pedir
Um sonho bom é o que posso guardar
Saudades de momentos que não vivi.
Imolarei, talvez prematuramente, meu amor por ti
Hoje, neste momento, vejo que o nosso “timing” está desencontrado
Seus anseios presentes nos remetem na contramão um do outro
Olho para você, menino que é, e vejo que está a postos para aprender
Yes, é seu momento mais primitivo, de buscas em protótipos e biótipos
Imagino que nem tenha percebido, mas sua profundidade agora é rasa
Kantiano em sua busca entre o que é e o que deve ser
Um momento que é seu e do qual não faço parte...
Yupiiiiii no looping que hoje me causa vertigem
Resisto, não posso querer para mim
Antevejo seus momentos vindouros e o espaço que se abre
Sei que deles não farei parte e você nem vai sentir
Em alguns deles estarei próxima, mas só na platéia
Contemplando seu sorriso feliz.
Freando meus sentidos digo: Amo você menino.
E, sob uma lágrima rolada, deixo um beijo.

Sempre em frente?

Há quem, com muito gosto, se vanglorie por nunca deixar de ir sempre em frente!
As coisas não estão bem? Siga sempre em frente, pra frente é que se anda!
Num contexto de mundo redondo, ir sempre em frente pode te levar exatamente ao mesmo lugar que esteve um dia. (Li isso em algum lugar).
Pra mim, existe hora de ir e hora de ficar, hora de andar de lado e hora de se esquivar.
De perto ou de longe, é tudo uma questão de objetiva em foco ou dando zoom, não se pode olhar nada tão de perto que se perca a dimensão do contexto, tampouco, tão de longe que se perca o detalhe.
Pregar-se a falta de convenção e liberdade de atitudes e pensamentos e se prender numa mente obtusa incapaz de chegar perto o suficiente para ver o detalhe e não se afastar o suficiente para ter uma visão mais contextualizada da situação.
É como adotar a postura do sempre em frente sem a menor noção de que não se está indo a absolutamente nenhum lugar, posto que está preso a trilhos que o levarão sempre ao ponto de partida.
Talvez agora seja um momento de esquiva e encantamento, só espero que não demore demais a ver, pois, de um momento a outro, que passa num piscar de olhos, posso ofuscar sua mente brilhante e não mais permitir a aproximação que agora entregaria como prêmio de uma genuína conquista e que, ao depois, poderá tornar-se uma distância segura e bem posta para que não mais possa alcançar-me com as mãos.
O preço do tempo perdido pelos que ignoram o supra-sumo dos sentimentos em detrimento das convenções, aos que amam a liberdade de ser, mas que não se atrevem a vivê-la.
A liberdade consiste em ser e não em estar, olhe o porto! O mar lhe dará sempre uma sensação de infinito, mas nada como aportar.
Não, ninguém é seguro o suficiente para se manter soberano o tempo todo. Há momentos de andar de lado.
Há uma distância, por hora, ilusória em termos de espaço e infinitamente grande em termos práticos, a falta de alguma coisa que resulte em ser. Um ato, um gesto, uma atitude.
Vejo-lhe perdido em seus círculos de semiconsciência, querendo aquilo tudo que sua mente aguçada lhe aponta e suas lentes turvas lhe impedem de ver.
O que lhe causa alegria quando é visto na amplitude do seu próprio ser é, exatamente, o que deve procurar para se encontrar, as formas, por vezes, podem parecer estranhas mas há um contexto maior a ser observado, mas isso tudo é para a vontade de muitos e a coragem de muito poucos.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Doar

Efêmero em seus sentimentos...
Volátil em suas atitudes...
Para que você não evapore entrego-lhe o que precisa e, assim, o mantenho próximo a mim.
Se meu coração estiver enganado, me redimo dando-lhe somente o que almeja.
Brinco com você e desvio sua atenção, aguçando sua curiosidade o mantenho entretido preocupado com minhas nuances e impedido de sofrer.
Se eu jamais puder saborear o que anseio, estarei protegida pelo espelho do que sua alma está preparada para ver.
Doando recebo, não exatamente o que desejei receber mas, ter o seu sorriso e saber da sua dúvida, por hora, me basta.

sábado, 10 de maio de 2008

Ausência

Ando sentindo sua falta, falta de alguém que ainda não tive por perto.
Falta de um futuro que nem sei se existirá.
Minha alma acordou violeta.
Acordei precisando de colo, acordei precisando de ombros, acordei precisando de abraços, acordei precisando de você.

Bola de Cristal

Hoje acordei um pouco triste, um pouco nublada como o dia ...
Muitas nuvens, pouco sol...
Um pouco de frio me fazendo sentir solidão...
Fiquei a imaginar olhando algumas insistentes flores que ainda existem no jardim e pensei:
Gostaria de ter uma bola de cristal, poder olhar para ela e ver um filme...
Neste filme estaríamos juntos e felizes...
Não tenho bola de cristal e meus pés estão frios.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

TUNG JÊN

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TUNG JÊN/ COMUNIDADE COM OS HOMENS -A imagem do trigrama superior, Ch'ien, é o céu; a do trigrama inferior, Li é a chama. Por sua própria natureza, o fogo arde em direção ao alto, rumo ao céu. Isso sugere a idéia de comunidade (união). Devido a seu caráter central, é a segunda linha que reúne a sua volta as cinco linhas fortes. Aqui a clareza encontra-se no interior e a força no exterior, o que mostra a união pacífica entre os homens, que para manter sua coesão necessita de uma pessoa suave entre muitas firmes. O céu se movimenta na mesma direção que o fogo e, no entanto,são muito diferentes um do outro. Como a comunidade(união), deve basear-se em interesses de caráter universal, e não em propósitos particulares do indivíduo. Homens ligados por um sentido de comunidade, primeiro choram e se lamentam, mas depois riem. Após grandes lutas, conseguem encontrar-se. Duas pessoas estão exteriormente separadas, porém unidas em seus corações.Suas posições na vida as mantém separadas. Ergue-se, entre elas, muitos obstáculos e impedimentos, causando-lhes tristezas. Mas elas não permitem que nada as separe e permanecem fiéis uma a outra. E ainda que a superação desses obstáculos exija grandes lutas, elas vencerão, e ao se reencontrarem suas tristezas se transformarão em alegria. COMUNIDADE COM OS HOMENS em espaço aberto.Sucesso.É favorável atravessar a grande água.É favorável a perseverança do homem superior.

(e que assim seja!)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Domar, amarelejar

O tempo passa, a ansiedade sufoca, pinica a alma da gente.
Preciso domar meus instintos e anseios...
Vou dormir, nem mesmo naquele momento sublime do quase morte minha alma sossega!
Desobediente quer pensar em você e eu, ardilosamente tento induzi-la a outra atitude.
Qual não foi minha surpresa ao ver que queria pensar no que será que você pensava?
Meus gênios maus, com absoluta maldade, puseram-me a pensar no pior que poderia ser.
Desde o não pensar em mim, até pensar de forma que não queria que pensasse.
Esse monte de tipos de amor que existem por ai, aliados às carências das pessoas em determinados momentos de suas vidas, podem gerar o que queremos e o que não queremos.
O que queremos em função de nossas próprias carências e o que não queremos das carências alheias, se as carências não forem harmônicas o abismo se abre.
E se o que quero ver não for o que quer mostrar? E se o que mostro não é o que quer ver? Disfarçaremos então nossas carências e, muito sem graça, o sorriso ficará amarelo, o dia ficará amarelo.
Acho que amarelei. Não é típico da minha coragem amarelar, mas posso dizer que estou aprendendo a domar meus anseios. Nada! É só medo, medo de que você fique amarelo.
Não quero conjugar o amarelar, quero conjugar o amarelejar.
Porém, a falta de ação assombra e torna-se única opção ante a imprecisão do que vejo, meus olhos turvos confundem-me o tempo todo, eles querem ver o que quero que eles vejam, guiados por um querer que sai da ansiedade, não filtram o que deve ser visto com a alma.
Engraçado como o meu ilimitado limite esbarra no seu e se perde, poderia se fundir, mas se perde, deve estar permeado de condicionantes que deslizam nas barreiras do seu, mesmo sem que eu saiba ao certo quais são.
Guardo esta sensação confusa como referência, é a que tenho agora, só sei que é ela, neste momento, que me impede de amarelejar.
A ansiedade se afina com a paixão, a paciência com o amor. Assim, vou esperar pacientemente a ansiedade passar, se algo ficar, é ele: o amor.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Reflexão | oãxelfeR

Ando com medo de não mais ser luz, devo ter perdido meu brilho por ai e nem me dei conta disso.
Eu que sempre causei reflexão, eu que sempre doei, eu que distribuía... Agora me vejo querendo beber da sua luz...
Refletindo, acho que ando refletindo demais...
Efêmero, quero te sentir e você é sonho, quero te pegar e você é essência. È um querer que não acaba mais.
Sinto-me como um desses perdidos buracos no espaço, mas se é assim, não adianta comer luz, não haverá onde refletir...
Enquanto isso vou te absorvendo e você nem percebe, percebe sim...
Aqui não é lugar para você.
Leio todos os meus manuais e não há receita de como lidar com isso.
Não fuja!
Te abocanho como uma nuvem e te exalo pelo nariz, transita pelo meu ser e nem percebe, percebe sim...
Que coisa! Saia já daqui!
Te assusto e faço mil caretas e você se diverte, era para sair correndo e você ainda está aqui...
Você que é tão pequeno ainda, se aproxima e cresce e, quando me dou conta, já há abrigo nos braços teus ...
Há um problema de perspectiva nos meus olhos mas não há na minha alma.
Agora sumiu e não mais está aqui.
Vazio.