domingo, 7 de setembro de 2008

Mensagem Subliminar...


Primeiro me disseram que eu sentiria UM RARO PRAZER, porque o IMPORTANTE É TER CHARME, que O SUCESSO viria de UM SABOR QUE CONQUISTOU O BRASIL. Disseram-me que ALGUMA COISA A GENTE TEM EM COMUM e, ainda, chamaram-me: VENHA PARA ONDE ESTÁ O SABOR pois, afinal, ALGUNS HOMENS FAZEM O QUE OUTROS APENAS SONHAM, posto que o que importa mesmo é que você LEVE VANTAGEM EM TUDO, CERTO?

Fui lá, pulei de cabeça e hoje já não consigo mais imaginar minha pobre vida sem aquela formosa cortininha de fumaça que verte pelos vãos dos meus dedos.

Estava tudo bem, podíamos fumar durante a aula, durante as provas – ríamos quando algum incomodado insistia em nos azucrinar – era divertido e relaxante...

Aos poucos os incomodados começaram a ganhar peso e força pautados em leis e campanhas e nós, até mesmo para não sermos segregados de nossos empregos passamos a ter que repensar aquela teoria toda do SUCESSO e PRAZER...

Detalhe, falei aqui dos slogans expressos que ficaram famosos, tanto que não preciso mencionar nenhuma marca que todos saberão a que me refiro, mas alguém aqui lembra dos lindos desenhos no filtro daquele cigarro com ares femininos? (afinal ELLA SOU EU) E a delicadeza daquele outro mais fininho que o normal (aliás dois! um fino e um finíssimo – O FINO QUE SATISFAZ), nem vou falar dos vídeos incríveis e a trilha sonora “AO SUCESSO” e a “NO LIMITS” numa época que não era moda todo mundo falar inglês mas já éramos verdadeiros “paga-pau” dos americanos do norte ... Sentíamo-nos verdadeiros surfistas só em portar uma carteira daquele hollywwodiano...

Isso tudo circunscrito num contexto de muita apelação nos filmes e novelas... ah sim, e a famosa Formula 1 que, insistentemente, ainda consegue estampar algumas marcas...

Passei por algumas tentativas frustradas de parar de fumar, numa delas engordei 8 quilos em 15 dias, numa outra, com acompanhamento médico, psicológico e adesivos quase morri de hipertensão e quando precisei o “suporte” faltou...

Hoje estamos oprimidos e não podemos mais fumar em lugar nenhum e os políticos e governantes, nessa tremenda “moda” anti-tabaco, vão lançando uma lei atrás da outra e daqui a pouco seremos multados até por fumar dirigindo ou mesmo dentro da nossa própria casa.

Pergunto: Sou de uma geração que nasceu e cresceu sendo impregnada pela idéia do fumo, pela boa idéia diga-se! Sou dependente química e psicológica do cigarro. A quem eu processo? O governo e os fabricantes?

Parar já desisti, quero pelo menos ter o direito de fumar em paz!

Sempre penso, incomoda porque faz fumaça, faz mal à minha saúde, mas e o álcool? Quando eu fumo não dou vexame, não agrido ninguém e não perco minhas faculdades... Por que é que continua passando propaganda de bebida alcoólica? Será que ninguém sabe que quem é alcoólatra só precisa de uma gota, não adianta a maldita da moderação?

Só pra registrar o abuso:

ALMADÉN: o vinho que tem alma até no nome;

ANTÁRTICA: a cerveja da boa;

BOHEMIA: Há 150 anos o mesmo prazer;

BRAHMA: refresca até pensamento e, O Brasil conquistando o mundo;

CAMPARI: só ele é assim;

CARACU: energia e muito sabor e, forte e gostosa!;

NOVA SCHIN: experimenta! Experimenta!;

CHANDON: a vida borbulha com Chandon;

DREHER: deu duro? Tome um dreher;

ORLOFF: pense em você amanhã, exija Orloff hoje!;

PIRASSUNUNGA 51: Uma boa idéia!;

SAGATIBA: a cachaça além da cachaça

SKOL: a cerveja que desce redondo;

TEACHER'S: a única regra é reunir os amigos;

Etc etc etc

Ah... façam-me o favor! Bando de hipócritas!

Vamos fazer campanhas de conscientização para que não surjam novos fumantes e bebuns e deixem os já existentes em paz!


(imagem: grafite, trabalhando com texturas: metal - O Pensador fumante)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O Corpo


Condenaram, condenei... mais até do que deveria...
O corpo reflete a alma...
Amor, dor, felicidade, tristeza, solidão, união
Tudo vem...
Sol ou lua, dia ou noite
Tudo passa e vai...
O que fica são cicatrizes
Troféis de alguma conquista ou perda
Olhe no fundo dos olhos, lá não existem palavras ditas ao vento...
Viu? Então, jamais esquecerá!
As cicatrizes são lembretes para seus donos e adornos para os espectadores.
O corpo vai, a alma estará onde quiser
Neste lapso, do desencontro entre um e outro, a maioria das marcações acontecem
O porquê do lapso acontecer descobrirá no dia da ferida e nunca esquecerá graças a ela: a marcação.
E assim, chegará o tempo que nada mais precisará ser dito ou calado, será somente lembrar...

(Imagem: O Corpo - grafite - 27/10/2005)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Flor do perdão


Espanca Espanca Espanca
Todo mundo te insultou, declaravas apenas amor
Amor ao teu irmão
Eu também te violentei, com os olhos do preconceito
Quem sou eu agora para não perdoar aos demais?
Falamos a mesma língua, através da cortina de fumaça
Talvez isso faça arder os olhos alfabéticos...
Quanto mais exalamos, mais turva fica a visão
Daqueles que passam
E julgam-nos com disposição
Após passar pelo sobressalto da mesma sorte, voltei aos teus e reli um a um
Nenhuma mácula percebi quando a ele te referias
Peço-te, oh musa inspiradora, perdoa esta alma iniciante
E aceita este texto sem nenhuma métrica ou rima, como uma Flor
Uma bela Flor do pedido de perdão
Não é que não derramemos nosso leite sobre os amantes, não é isso
Mas ao fazermos sem ponto ou vírgula
Causamos um lusco-fusco nas emoções de tais ouvintes
Que sem saber como desvendar, sem dó ou piedade, arremessam-nos suas pedras pontiagudas
E atiram-nos na fogueira de suas próprias vaidades incestuosas


(Imagem- texturas com grafite: Pedra - 22/11/2005)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Relicário

Vou me mostrando a cada um como querem ser vistos...

Se me como rainha, é exatamente isso que deveria buscar em você.

Se me como um ser ignóbil, talvez seja exatamente isso que você é.

Este era um de meus segredos que agora revelo...

De pronto pergunto: Por que se revela um segredo?

Eis uma resposta que para cada um é tão particular quanto o que se me .

Confesso que a confusão maior se deu quando, ao exibir meus dotes, encontrei eco na minha alma, estes maior cuidado despertam, pois podem ser aqueles que lhe fazem saltar para fora de si mesmo e, calma, não é bem assim...

Sacie-lhes a fome e verá o quanto se modificam

São todos passageiros...


(texto escrito em 01/07/2008 – posfácio necessário: Eu nunca sei porque escrevo, só sei que escrevo, principalmente se estiver ligada a alguém, pois é como se eu absorvesse tudo da alma da pessoa, independentemente do que ela diz ou faz, parece predição)



"E- não esquecer que a estrutura do átomo não é vista
mas sabe-se dela.

Sei de muita coisa que não vi.
E vós também.
Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar.
Acreditar chorando."
........................................................................(Clarice Lispector)


terça-feira, 22 de julho de 2008

Com café e com afeto

A tristeza é como uma doença da alma que pega no corpo
Chora a alma e, mesmo que seu corpo tente ignorar, verterá em seus olhos como um mal-estar, por vezes, como água.
O abatimento será inevitável e pensará que se está doente sem saber exatamente do quê.
Ao mesmo tempo, a felicidade é capaz de rejuvenescer o casulo, fazer a pele brilhar e todos perguntarem o que foi que lhe aconteceu.
E as marcações? Pensamos por vezes não ter nada e, ao caminhar, percebemos o quanto fomos marcados e demarcados
Corpo e Alma
Cheiros
Manias
Gracejos
Detalhezinhos
Promessas
Não tenho nada além de pedra e pedra, embalagem vazia e embalagem pela metade, hieróglifos e muitos sonhos e marcações
Na cafeomância, hoje meu café tem outro gosto e significado, se misturo leite então, fica quase insuportável, nem falarei do barulhinho emitido pela térmica ao gritar seu nome...
Meu leito não é mais meu, aliás, sem saber me devolveu
Meu próprio cheiro já se confundiu com o seu
Quem foi que me deu autorização para amar assim?
Que ela lhe fale aos ouvidos...

(texto escrito em 12/07/2008, 8.29h)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ter, poder

Repetia-se diariamente na escola infantil uma daquelas declamações que somos obrigados e que se diz sem entender e saber o que significa, apenas como sacrifício obrigatório: “Uns têm e não podem, outros podem e não têm, nós que temos e podemos damos graças a Deus, obrigado papai do céu pelo lanchinho que vamos tomar!” Dito isso estavam todos liberados a desembestarem rumo à fila...
Confesso que já naquela época esperava a multidão se dissipar para chegar a minha vez, sempre neste intervalo, entre a multidão e a minha vez, ficava repetindo em pensamento aquele pré-castigo necessário à hora do lance... Uns têm e não podem, outros podem e não têm... Não me fazia nenhum sentido e, só recentemente entendi o que significava aquele mantra...
Vejo que em tudo na vida acontece uma situação ou outra e que, quando as duas se unem não necessariamente se está com apetite para, era o que geralmente acontecia na hora do lanche da escola, mas sempre me via obrigada a comer porque não teria outra hora para fazer aquilo.
Ao longo da vida, entretanto, ganha-se mais um ingrediente para decidir se quer e vai fazer algo quando a dúplice aliança entre o ter e o poder se fundem... É chegada então a tríplice: ter, poder e querer. E, assim, cada vez mais raras são as atitudes. Nem mesmo a fome do corpo ou da alma resolvem isso, é preciso ter, poder e querer...

domingo, 20 de julho de 2008

Um pouco de tudo

Falei dia desses a respeito das ilusões e dispositivos que criamos para viver...
Falei da primavera, das flores insistentes que dão no inverno, daquelas que quando menos esperamos desaparecem
Falei das fadas desvanecendo, do movimento contrário e da essência e do motivo...
Falei dos dinossauros e suas patas, do verso e do reverso, de tudo o que se me dá...
Das personagens secundárias e dos valores... falei até mesmo do que não se pode revelar...
Hoje haverá um funeral, daquela estrela que tantos já não agüentavam mais, daquela que se pensava ser eterna e imortal...
Mudanças de planos! Sua essência jamais se perderá, mas quem não tem olhos jamais a verá novamente, quem não tem ouvidos, sinto, mas não mais ouvirá, quem não tem tato, lamento, mas não mais sentirá seu afago... Na verdade já é missa de sétimo dia!
Algum tom ameaçador? Se sim, sinto novamente, mas é porque agora lhes falta alguns dos sentidos que não se desenvolveram, e isso também já era previsto, como a distância segura...
O sangue hoje está derramado por todos os lados, nos meus braços, nas minhas pernas e manchado de marrom na minha alma, o coração? Não sei, faz dias que não o sinto retumbar...
Olho a verdade refletida no espelho diariamente e vejo claramente o que se foi...
Quando se pensa não haver mais nada que se possa subtrair, um novo decalque surge e cicatriza eternizando o que para uns é motivo de orgulho e respeito e, para outros tantos, ojeriza e desclassificação...
Esta aloucada vate não traçará mais nenhuma previsão, não sofrerá com as boas intenções, tampouco cultivará potenciais... veremos tudo o que for branco no preto (e vice-versa), o que for vermelho ou azul, e também, o violeta...
Desisto porque não há mais o que se preservar, falhei! Falhei um milhão de vezes e, manda o bom senso que não se insista no erro... portanto, não insistirei.
A cada pão, pão! A cada queijo, queijo! A cada olho, olho e a cada dente, uma mordida!
Quer café sem açúcar? Hoje é o que tenho para oferecer... Quer açúcar? Traga consigo.
Quer pintar com minhas canetinhas? Empreste-me, simultaneamente, seus aquareláveis, senão, nada feito! Afinal, não é dando que se recebe? Então, por hora, chega...
Não preservarei mais ninguém, seja você, você, você ou mesmo eu... Vamos navegar e ver onde vai dar, quem quiser que reme, agora vou somente espectar...
O igual para igual inexiste, nem mesmo o que se cria e o que se planta, todos têm seus direitos e disso não se olvidam, todos têm seus deveres e a isso sonegam...
Dei-me conta desta geração, deste presente, onde as crianças que cresceram tiveram seus valores (ou falta deles) formados fora de seus lares (que lares?), filhos de pais e mães ausentes ou muito ocupados e me pergunto: O que é que será passado pra frente?
Todos choram as mesmas dores e não entendem o que é que dói... Se revelo, novamente, tentarão corromper...
Simula-se, mescla-se, perde-se, deteriora-se, desvirtua-se e não há raízes para germinar...
Acreditem, tudo está ai onde deveria estar, sempre esteve e sempre estará, abram os olhos! O vinho deve ser servido e sorvido em taças! É só o que posso declarar...
Deixe-me ir agora, tenho muito a limpar... monte delas... (brincadeira, quando se vão, evaporam, é só força de expressão).
Já disse, mãos para quem é de pão, beijos para quem é de queijo, visão para quem é de olhos, e alma para quem é de dentes! E, quem viver, verá! Afinal, é a vida...

(Bravo, Bravíssimo! - E o caralho para quem não entender!)


terça-feira, 15 de julho de 2008

Glamour

Hoje minha alma chora sentida por tudo que se perde nesta vida
Dinossauros, somos dinossauros quase extintos em meio a isso tudo
Não queria ser autora de mais um complexo, mas ei-lo:
Complexo de Dinossauro:
Quando você se sente um ser em extinção
Olha ao seu redor e o romantismo parece algo que já foi lenda um dia
Percebe que o cavalheirismo é termo esquecido dentro de algum livro de fábulas
Por sua vez, verdadeiras damas não passam hoje de peças isoladas em um tabuleiro de casinhas pretas e brancas
Que a gentileza e boa educação fazem parte de discursos de folhetins amarelados
Que a sinceridade terna, os olhos nos olhos, consideração são, no máximo, versos rimados de alguma letra de música do passado
Quando se é tido como démodé, embora quem lhe julgue talvez nem saiba que este termo existe
Seus modos, mais que sua aparência em si, o fazem parecer que está a anos luz de distância dos “modernos”
Ser capaz de chorar pela alma, um choro sofrido refletido no espelho dos olhos, só porque lancinantes dores lhe impingiram ao coração e, tudo isso ficar invisível e mudo aos ouvidos dos incautos
Ser capaz de amar, só porque sim, independente de gênero, número e grau, amar com tamanha repleção que aos menos avisados pode parecer banal
Trajar-se elegante e discretamente em respeito aos rituais e ser tido como alienado
Ter rituais nas mais comezinhas atividades do dia a dia
Ser um ser daqueles que sabe que profundidade não é opção de vida, é ser
Levar a vida com Glamour e se apiedar daqueles que nem sabem o que é isso
Isso tudo lhe faz um Dinossauro... não, não há nada bruto nisso, não, não há nenhum perigo nisso, não para os outros, só para você mesmo que irá, com toda a fragilidade inerente a este tipo de ser, expor-se à incredulidade e insensibilidade alheias.
Dedico o complexo de hoje aos poucos e quase extintos Dinossauros e, também, a todos aqueles que se aventuraram a compartilhar dos sonhos destes, posto que incólumes não sairão de tal experiência.
Que sejamos eternos enquanto durarmos.
Selo o conteúdo com uma gota daquela que recobre o beijo.

domingo, 13 de julho de 2008

Campos de Trigo

“Eu tava mexendo no violão, comecei a fazer a melodia e aí, a primeira coisa que apareceu foi exatamente cidade submersa, isolada de tudo, porque cantarolando parecia (a cidade submersa) parecia que a música queria dizer isso.
Eu tinha que ir atrás depois, tinha que explicar essa cidade submersa, tinha que criar uma historia. Apareceu exatamente a cidade submersa antes de qualquer outra coisa. Aí eu coloquei esses escafandristas e, e esse amor adiado, esse amor que fica pra... pra sempre né, essa idéia do amor, essa idéia do amor que existe como algo que pode ser aproveitado mais tarde, digamos que não se desperdiça e passa-se o tempo, passam-se milênios e aquele amor vai ficar até debaixo dágua né, e vai ser usado por outras pessoas, amor que não foi utilizado, porque não foi correspondido, então ele fica impar né, fica impar pairando ali, esperando que alguém apanhe e complete a sua função de amor...” (Chico Buarque)


Meu caçula, meu amiguinho, meu primeiro filho, meu também imparzinho ser, meu irmãozinho... olhou-me um dia e disse: ... Tem gente que é par e tem gente que é impar... Você é impar...
Vaticinou e não entendeu porque é que minha alma sofria...
Juro que tentei a todo custo escapar da sina, esperando que quem decantasse me compusesse poemas, versos, trovas e celebrássemos com harpas bailando mesmo que sem no chão tocar ...
Cristalizando agora minha alma...ah vida! Com medo que eu acabe por esquecer-me do resto da humanidade, não quer vê-la preenchida.
Jamais deixarei de amar, continuarei aqui a sonhar em meio aos campos de trigo, até que me leve nos braços após vislumbrar o que realmente tenho...


sábado, 12 de julho de 2008

O Livro

Eis que o francês saiu em vôo e nunca mais voltou
Alguns o têm como morto, enquanto particularmente penso que ele deve estar com cerca de 108 anos, correndo mundos e invadindo nossos corações, afinal um ser alado sempre há de voar!
E ela, de pelagem vermelha e de outras cores que a imaginação permitir também, vem como coadjuvante secundária semear valores para que todos tenham acesso, quase sem nenhum destaque especial, mas muito marcante aos que com seus corações podem percebê-la
O intróito necessário para se vislumbrar outra, não menos secundária e fundamental personagem, “renoirneana” e vitrificada que tive o prazer de conhecer recentemente...
Preocupa-me a mídia e seus engodos, sem desmerecer a graça e beleza impingidos à personagem principal, mas o que seria dela sem aquele que a revela?
Tão importante quanto descobrir a importância de alguém que lhe cativa é ir lá no fundo da alma buscar quem você é, e sem ele, isso não seria possível...
Há na vida os mesmos enganos, tudo muito dolorido e apavorante.
Ressuscito diariamente para a vida, tem dias, confesso, parece que será impossível, mas me apego neste papel secundário que a vida me propiciou e vou pintando quadros e desfiando mantos para ver se nesta insânia do movimento contrário me encontro.
É difícil não vitrificar, há quem se acondicione em caixas almofadadas para não quebrar, hoje me vejo como um ser muito trincado mas, minha proposta, inclui morrer de exaustão... Não há sentido em tanta preservação.
A resistência passiva tem sido minha pior tormenta, deve ser nova ferramenta dos que insistem em não amar.
Há quem ache que o sorriso de Monalisa é o que deve ser perpetuado, deixando o enigma ao espectador. Em contrário senso, penso que devemos derramar o calor do sorriso para, quem sabe, contagiar.
Não que as lágrimas, insistentemente, nunca deixem de verter da alma, principalmente quando vejo algo morrendo diante de mim.
É certo também que, chegando aos cacos, provavelmente tornar-me-ei completamente teórica, contudo, ainda assim, encorajarei os que me cercam e ainda tem resistência para que continuem acreditando no amor.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Classificações

Nas definições que se tem por aí, a solidão pode ser um Estar ou um Ser, entretanto, naquela que tenho hoje por aqui, digo: não é estar ou ser.
A solidão de ser É, não importa o que ou quem se tenha ao redor
A solidão de estar é aquela de quando, de fato, se está Só
A solidão a que agora me refiro é aquela de não poder compartilhar o Que com Quem se quer.
Qualquer uma delas faz tudo ficar mais frio do que deveria e, confesso, hoje meus ossos ficaram gelados... o frio veio de dentro e me entorpeceu.
Todos eles aqui ao meu redor me aqueceram de fora para dentro só que, desta vez, queria algo de dentro para fora – anti-regra!
A dor e a alegria são solitárias mas, ao mesmo tempo, perfeitamente compartilháveis.
Isso tudo me remeteu a um livro lido há muito, no qual o autor narra sua experiência relatando em seu diário de bordo 100 dias na solidão de estar... numa de suas reflexões diz a si mesmo: “Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só.”
Devo estar inventando moda ou, quem sabe, talvez não seja solidão o que sinto... devo estar morrendo de saudades...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Rei (Napo) Leão


Meu anjinho, você um pequenino reizinho, pelo menos por um tiquinho, sentiu o que é ser amado e ser um solzinho!

Tirei-lhe das garras do desalento do amor que lhe abandona, da angústia de ver seu amado tê-lo como descartável e, nesta vida que muitas vezes me confunde, joguei-lhe sem querer em outras garras...

Não sei bem o que é para aprender com tamanha dor meu amorzinho, mas seja você mais uma vez a esperança e chegue voando pela janelinha do céu de Turquesa lhe esperando.

Um último afago nos seus vermelhos, leva um beijo azul contigo e entrega lá para mim.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Regalo

Sábio coração, tão ... tão ...
Primeiro se faz presente, abriga e protege, me faz sem defesas
Coloca-me segura para que, de onde esteja, nada possa machucar
Tira o peso do pesar e me dá novos ares para respirar
Mostra-me as verdades todas, aquelas que são minhas e as que não são também
Explica sobre a vida com a calma e maestria daquele que pode antever minhas angústias
E se não tem cura, ao menos conforta
Chama-me à reflexão para quando chegada a hora, tenha a referência do que há agora e não me perca sem caminhos ou sem pés
Presente divino e lindo é ter aqui comigo esta marca decalcada sobre, ao redor e dentro do peito, sempre.
Mesmo se a vida, por acaso, me pegar no turbilhão fecharei meus olhos e estarei brincando de rolinho contigo, nada temerei e ainda terei um sorriso...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Chegada

De sobressalto vi que minhas raízes mudaram de lugar
Tenho a sensação de que a vida flui sem governo, nada posso fazer
Andava sem rumo na vida e, de repente, vida!
Pensava que os sentimentos que carregava comigo a tanto tempo fossem parte de mim, sem querer despertei e o encanto se quebrou, até senti saudades de você
Estranhamente sinto como se algo meu ainda estivesse preso a você, mas mesmo assim estou voando, como pode ser?
Tudo parecia certo e eterno e agora me vejo renascendo e você não está aqui, agora sou outra pessoa, é outra vida, meus enfoques não contemplam mais aquele universo em que você estava.
Vislumbro agora o aconchego de um coração que me toma para si e, ao mesmo tempo me provoca a liberdade de voar, meu medo infundado de fixar-me parece tolo e sinto-me como parte de uma unidade.
Olho para mim e vejo que cresci, vejo ao meu redor todos os que cresceram, não se pode, entretanto, olvidar daquelas paisagens que carregamos dentro da alma. Alguns esquecem-se delas, perdem suas referências e ganham uma dimensão distorcida da nova realidade, outros vêm e nos relembram o que de fato tem valor.
Crescer tem seus encantos, mas não podemos nos deixar devorar por eles, é preciso saborear cada etapa da vida, sem, contudo, perdê-la de vista.
Veja, posso sonhar, posso voar, posso viver sem me perder no pragmatismo da vida.
Posso viver e, ainda assim, continuar sendo parte de mim.
A vida contempla-nos com seus presentes, hoje sou capaz de recebê-los mesmo sem saber ao certo como será, somente quero viver plenamente.
Engraçado que sinto que o novo já morava dentro de mim, é a surpresa da vida, é a vida.
Há os que se negam a achar sua unidade e, com isso, trazer sempre a ilusão de que lhes falta um pedaço, parecem querer ver quantos conseguem ladinamente enredar, mas aí é como uma mágica, suas peças se encaixarão ou não, não adiantará impor ilusões, meus olhos agora podem ver com o coração e a ele tudo é transparente.
Sinto agora novos ares em meus pulmões, o perfume da cumplicidade e do abrigo, do que me vê como sou e quer o que há em mim, por inteiro e sem disfarces, sem máscaras ou antefaces, meu ego ainda me puxa para fora, mas vejo a grandiosidade do universo em que me encontro e repouso no pouso que hoje me aconchega.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Dia de Sol

E, ao me ver voando talvez vislumbre, pela distância, que é pequeno e, lança
Fere e sangra, descompasso
Notívaga manhã para ser oposição, sacrifício
Fazendo o não acontecer
Aqui na gruta todos os dias faz chuva, às vezes sol e chuva
Calor e sabor, esfria e dilui
Dia do sol ...
Gosto da chuva também, é preciso molhar, saber brincar em dias de sol e de não sol
Os raios de sol são lindos, contudo, se não inundam a alma o frio se estabelece
Compartilho meus itens contigo, deixe-me ver o que há, aqui dentro não tem redomas só proteção, por favor tire seus sapatos!
Hoje já sei um pouco mais, tem um pouco mais também... Minha mão é sua e sempre será, que sua opção seja, também, confiar.
Vislumbro a distância infinitesimal, só um passo, sei que é muito e é tudo.
Lá, naquele lugar onde já estivemos algumas vezes, é possível transcender, aqui também sim
Abra os olhos, agora não estou voando, estou aqui contigo. Venha, sinta, senta, conjuga, brinca comigo!

sábado, 28 de junho de 2008

Mudo

Hoje meus pensamentos ficaram mudos
O silêncio que se fez foi cortante
Era preciso, entretanto, parar para poder ouvir os sons que vêm de fora
Tem dias que se quer mais que mera reflexão, atendimentos de pedidos, cordialidades ou outras gentilezas
O som possível de se detectar foi tão quietinho que acordei com vontade de chorar

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Toccata e fuga

Iludimo-nos algumas vezes com a sonoridade de uma música... Invariavelmente, quando ouço algo procuro projetar em minha mente que tipo de instrumentos estarão a produzir tal vibração... no caso específico das tocatas (Toccata), peças musicais produzidas para um único instrumento, a ilusão pode ser ainda maior se o compositor for ninguém menos que Bach e, o instrumento em questão for um órgão de tubos...
Você será levado a acreditar que existe toda a congruência de uma orquestra e, ao abrir os olhos, verá solitários um par de mãos, um par de pés e um único e estrondoso instrumento...
Será por isso que transmite aflição e não acalanto? Penso que sim...
Tenho em mim alguns critérios para definir aos meus ouvidos o que é ou não uma boa música, longe de mim desacreditar o alemão, entretanto, ensaios musicais para evidenciar um único intérprete, por vezes, me agonia... (narizes retorcendo nas cadeiras ao lado... tudo bem, eu sobrevivo)
Voltando aos olhos, de quem ainda pode abri-los, não é crível que se possa perder a harmonia e, digo ainda, dentre os organistas e orquestradores, fico com os austríacos, discípulos que superam seus mestres!
Espero sempre em meus ouvidos a docilidade das harpas, o conjunto harmônico da orquestra, regida pela maestria da batuta.
É preciso estar com a alma livre e leve para voar e, com as asas abertas, entrar em comunhão com a densidade do ar, com ele se mesclar para que a unidade seja estabelecida e a vertigem do vôo em si, desapareça.
Quando se é ar também, quando se muda a densidade, o medo e a vertigem não têm mais sentido. Nenhum frio vem antes ou depois, é um novo lugar, uma nova perspectiva, é a perfeição de ser.
O piano sempre fica melhor regendo e sendo regido, a sensação da unidade e a neblina pairando sobre todos os instrumentos.
Desde a tenra idade não me sentia à vontade em dividir meus espaços com ninguém, me é muito fácil adentrar a alma alheia e, da mesma defesa sou órfã, por isso mesmo traço riscas e construo muros.
Olho bem para o que vejo e sim, é lindo.
Penso que, quanto ao mestre, possivelmente por sua privação da visão - o medo do imaginário para quem já enxergou antes - pode ter atingido sua capacidade de se mesclar. Nada contra os solos, até porque é meu constante “passatempo”.
Também existe o momento de fechar os olhos e o momento de abri-los, tudo depende em que santuário estejamos colhendo o abrigo.

sábado, 21 de junho de 2008

Meu Amor

Imersa em meus pensamentos, enquanto tratava de algumas atividades cotidianas, dentro do paralelo, estava a imaginar o poder do chamado do amor...
Não, nada de superficial... o chamado tem que ser sincero, puro e profundo senão não chega aos ouvidos da alma.
Intenso deve ser, pois ao dá-lo irá também receber, é preciso haver espaço para abrigar o ser amado. Então não, nunca emita o chamado sem sentido, pois ao ouvi-lo a alma ganha desprendimento.
Faz-se necessário ainda, além do coração, a mão firme e acolhedora, pois nem sempre o trajeto final está dentro, é somente abrigo passageiro.
Tenho expressado à exaustão meu repúdio total às drogas e seus efeitos, entretanto, ao interpelar-me em busca de alguns cobres, abaixei o som e o vidro, desculpei-me e nada pude oferecer além de um agradecimento sincero e meus parabéns à iniciativa daquele voluntário no farol, aquele que, pelo olhar estremecido, sei que se pôs ao ofício para não cair em tentação...
Interessante que, mesmo sem nada de sólido ter recebido, agradeceu-me dizendo: Obrigado Meu Amor...
Veio-me, mais uma vez, a confirmação do poder do chamado, onde se me dá o necessitado o que precisa receber..., por vezes o único elo existente para viver ou morrer.
É certo, dúvidas não tenho, é essencial e indispensável que, pelo menos uma vez durante a vida, alguém lhe chame: Meu Amor.
Meu Amor, num gesto ou mesmo como exercício da palavra.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

A carta

Fui dormir pensando em como eu poderia fazer para mostrar meu desejo, de forma tal a transformá-lo em realidade
Antes disso confirmei uma alma e a cristalizei para o eterno
Sabe o motivo de chorarmos? É uma forma de libertar quando não se tem mais o que fazer para que se fique
Tomara seja verdadeira a lenda de que quanto pior o pesadelo, melhores as notícias...
Neste pesadelo, dilaceram-me a alma, esquartejaram minha mente e banalizaram meu corpo, era tudo tão doloroso que já era absurdo mesmo lá, enquanto pesadelo
Saí às ruas inda assim, arrastando meus farrapos e derramando meu sangue, porque mesmo naquele estado ainda me parecia pior o sentimento do outro
Tomou-me como alguém merecedora da mutilação por não acreditar no que lhe era dado
De um instante a outro me vi perdida num labirinto, muitos me falavam ao ouvido, disseram-me sobre meu corpo e minha alma e traçavam comparativos, aproveitando-me sem nenhuma redoma, alguns olhares eram perplexos, palavras de misericórdia quando muito, desmentiam suas singelezas
Quase sem temperatura, sem pés ou mesmo alma, andei andei andei para não deixar perder-se a verdadeira essência daquilo tudo, e como numa tormenta encontrei-me com o medo e o desespero...
Fui paralisando e esfriando e, mesmo assim, algo ainda me era latente, enfrentando aquilo tudo que me feria, precisava de algum abrigo mas dentes e rosnados ferozes me perseguiam
Já sem forças e agora sim sentindo toda a dor, minhas pernas já não me obedeciam, sequer minha mente podia me acompanhar, sobrava-me somente a alma...
Fui com a voz que me restava dizendo o que era verdade nesta vida, o que era engano desmentia e, mesmo ao longe e intacto algo o tocou
Apiedou-se por um segundo do meu pavor, o suficiente para se aproximar e retirar mais um naco de carne fria
Neste instante vi dois companheiros observando, deles também tentou apossar-se, mas logo a figura de uma doce criatura carregou-me para dentro
Disse-me ela que estava mesmo a escrever-me um bilhete dando notícias de algum cuidado a ser tomado
Tirou-me tudo o que antes me haviam dado, abstraindo aquele meu estado, falava-me como se ainda fosse inteira
Discursava sobre o que pode e o que não adianta ser doado, entregava-me novos instrumentos
Lia em meus olhos o desespero pelo despreparo encontrado e disse algo sobre o obvio
Olvidou-se, entretanto, de dizer para que serviam aquelas novas ferramentas
Deu-me algumas anotações e saí porta a fora
De volta ao lugar de origem, minha alma, única sobrevivente, mostrou-me onde havia deixado meu corpo e minha mente
Chorei copiosamente e, mais uma vez, parti.

Pausa


Plantei
Colherei?
Não sei.

Preciso agora passar pelos campos já semeados
Recobrir a grama, pois o inverno chegou
Volto no verão, verão

Já se foi a metade, mais que ela
Tenho de ir
Vestirei meu chapéu e hibernarei meus sonhos

Quem sabe de mim, saberá onde me encontrar, sempre será bem-vindo e jamais abandonado.
Vou praticar a prática, vou ali já volto.

Não é desistência
É apenas o necessário


Solidão

Vem chegando, noite alta.
Desembarco, ainda inundada pelo glamour da viagem insólita
Ao descer, entretanto, dei-me conta de ter comigo apenas um par de pés...
Radiante pensei poder caminhar pelas ruas impunemente...
Aos amigos que passavam apressadamente rogava-lhes a companhia singela, meus tacões desenhavam a marcação, mas isso a ninguém interessa.
Houve até quem se compadecesse e se rendesse minimamente ao compasso imprimido, mas nada que durasse tempo suficiente para o abrigo.
Poderia descrever-lhes um a um, contudo, a eles, talvez não passasse de um tempo lento e disritmado, típico daqueles seres solitários que hora voam alto noutras repousam os pés de leve para poder apreciar
Poderia comemorar ao encanto infinito, mas de brusco me arrancaram os sonhos sem sentido
Materializei néctar em cálices de vinho, mas não escapei dos efeitos do martírio.
Sem outra opção, pedi a um amigo, leve-me por favor em sua carruagem, pois não demora o encanto será desfeito.
Não podia acordar do que para mim era real, mas o sonho que não é meu despertou-se.
Depois querem saber o motivo pelo qual elas, as fadinhas, desvanecem...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

domingo, 15 de junho de 2008

Sutil

Confesso que não quero ler o que está escrito, preferia redesenhar misturando suas letrinhas, aí já é a esperança que me move, mas sei de antemão que não se pode desejar coisas impossíveis.

Fui procurar apoio naquelas insistentes que me acompanhavam outro dia, já evaporaram, mas deve ser primavera em algum lugar do mundo, esta é minha ilusão!

Aos que escrevem com sentimento, impossível não deixar uma gota de sangue em cada texto, senão é ser somente poeta.

Se o preço a pagar for este, morrerei prematuramente, pois não concordarei jamais com isso...

Cada um tem sua própria ilusão, circunstância inventada para que a sobrevida se faça, uns acreditam na unidade e no indivíduo, outros no auto-alimento, há ainda aqueles que despejam um pouco em tudo e saem colhendo, insisto novamente na essência e o motivo, mas parece que realmente tudo ficou esquecido.

Sobreviver, a despeito de, é o que me arranca mais uma camada.

Ficar por aqui é cruel demais e remete para tudo o que não quero, entendo melhor e sou menos compreendida.

Ao que se apresenta: pânico. Disfarço.

E, daqui, meu suplicantes olhos, esperando o milagre, ficam com torcicolo de tanto olhar para ver se chega.

Há os que me vejam como rocha e os que simulam ver o que sou.

Não sou dada a ficar aqui do lado de fora, mas é este meu exercício atual.

Dispositivos para viver.

sábado, 14 de junho de 2008

Necessário

Aos que saem e se vão, a paisagem lhes cai como remédio e os ventos como anestésico.

Aos que ficam resta-lhes a dor do espaço aberto e nenhum sopro de alívio, é como uma vertigem.

Eles, os que ficam, possuem esta característica da elasticidade, como o ventre materno, mas o tempo é outro, diferente daquele dos que saem.
Onde está o desequilíbrio nisso? Está em não ser sempre útero, é também preciso ser feto.
A dor, dilaceração e hemorragia unilaterais, se constantes, desnutre e causa anemia, é necessária a nutrição placentária também.
Há muito mar e pouco porto, mas quem é porto também precisa aportar e é esta surdez que nos aflige, pois bóias não são raízes, os píeres também sabem voar.
Por isso eles, navegantes ou voadores, deleitam-se naqueles em quem, ao depois, deixam seus vazios, sem saberem que a fome que lhe saciam também existe lá.
Pode-se dizer que é da natureza de um e de outro ser porto ou aportar, mas replico num grito e nada ouvem, não é isso, não é vida, é somente o que se me dá.
O que se ouve e o que se vê, quase sempre, é o que se quer, não adianta mostrar, mas insisto: sua sede não pode sempre prevalecer ou ser vencida.
Refoge-lhes a necessidade simbionte dos indivíduos, criaturas dentro de invólucros únicos e originais, ignoram suas essências e o motivo, pondo-se avidamente somente a chuchar.


A paz do porto é merecida por todos e, se vez por outra um lado não for o outro, logo todos teremos somente o mar.
...

Sutura - Ensaio número 5

Ainda sinto seu calor em mim
Um amor feito, incontido
Pleno de deleites, veio e ficou comigo

Ah vida...
Roçando-nos sem pudores com seus presentes, fustigando a carne e despertando o desejo, vem se apresentar só para que não tenhamos dúvidas de que ela existe.
Como não me render ao santuário, se é lá que o tenho mudo aos meus ouvidos?
Subserviência da alma, êxtase aconchegante da forma mais pura de ser, plenitude...
Hei de conformar-me com esta limitação imposta e, neste contexto, poder alcançar o seu e meu âmagos.
Dança comigo?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Despindo, despedindo...

Resolvi, ontem, abandoná-la.
Mais que isso, descobri que nossas trilhas jamais se confundiram, ela me foi muleta em todos os sentidos, ora eu a arrastava, ora ela me levava em seu dorso.
Todas as vezes que me deixei carregar, caiam-me preciosidades...
Perdi muito, de tanto lhe montar o dorso, cheguei a duvidar da existência de minhas pernas, acho que por isso ganhei medo de dançar e dançar.
A consciência da vida em circulo e em teias me arrebatou de sobressalto, pois ela podia fazer desenhos sobre minhas pegadas, mas não sobre as próximas ocasiões.
Fiquei em concha, mas agora não mais, quero saber o que se me revelam os búzios!
Fazia parte da promessa de não deixar de acreditar, mas a dor e o medo turvam tudo.
De tão amochada estava quebrando o que não faz sentido
Os vergões na carne fizeram-me abstraí-la, vem então seu moço e me fala do equilíbrio entre eles: corpo e alma.
Deixando meu templo penar e minha alma voar tornei-me desinteressante, pois tentei separar quem não vive sem o outro, um quase morreu e o outro ficou sem rumo...
Com um pouco de sorte todos serão nuvens e, de lá da minha ilha, até que ficam bem quando em seus devidos lugares...
Todos aqueles fantasmas enfrentarei, um a um, mesmo que quixotescamente, não mais me desviarei de nenhum.
Vou redesenhá-los e fazê-los mais bonitinhos, agradáveis a mim e ao mundo.
Falo com esta voz de criança, pois é assim mesmo que me sinto sem este monte de roupas, foi exatamente lá que fiquei muito tempo esquecida.
Já lhes falei sobre a folha de palmeira?

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Improviso

Bom seria se todos os dias fossem dia dos namorados, percebem? É quase igual natal, mas tem um Qzinho de sex appeal no ar...
Ah sim, também sinto aquela angustiazinha de quem não tem com quem passar, mas pelo menos tem em quem pensar...
Embora o trânsito esteja ruim do mesmo jeito que é todo dia, até mais talvez, não ouvi buzinas irritantes...
Procuro todos os anos reunir pessoas, quem tem par e quem tem ímpar, para comemorar este dia, mas este ano não consegui porque o fisco ficou me importunando.
Seja lá como for, levanto um brinde ao amor!
Feliz Dia dos Namorados!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Lacerante

E da candura só restou a do batismo, pois quando ouço os ecos ressonantes da mudez da sua voz vejo o quanto dilaceraram-me os olhos e ouvidos.
Hoje o que sou confunde-se com o que estou e, neste desatino, já não sei onde estão minhas sapatilhas.
A percepção da delicadeza fascina e causa estranhamento ao que antes via dentro, o que fazia fugir.
Há tanto partida que o enlevo do deleite que sinto me angustia, não sei se vem de dentro ou se são externos esses estigmas, continuo procurando o melhor no que se me fazem e, para não aborrecer, no mínimo é encantamento.
Pedaço de dor na alma e na carne, lambo suas feridas sem saber ao certo onde começam e onde terminam.
Como não poderia faltar, trago comigo a esperança do rabo da lagartixa, será possível também mergulhar no que é tão profundo e restaurar-se do medo da chegada.
Aprender a trilhar pelas mesmas alamedas, colhendo as imagens que se perderam da referência de mim mesma.
E a vida? A vida, titereando, vezes pensa, noutras recompensa, enreda-nos em seu contexto emaranhando nossas vontades e pensamentos, iludindo-nos com o que parece ação e reação.
Faço que aceito, minha fuga está naquilo que, se declaro, talvez também tentem corromper.

domingo, 8 de junho de 2008

Comutando

Deparei-me, por várias vezes, com pessoas e seus abismos
Agrada-lhes aquele ventinho refrescante que vem, mas é abismo
Deparei-me, por várias vezes, com pessoas e seus venenos
Agrada-lhes aquele torpor que vem, mas é veneno
A certeza que se tem, pode ser dúvida
Preservação que se lhe presta, pode ser furto
Há uma linha imaginária e seus muros
O veneno pode ser remédio
A árvore mais forte é aquela que se verga
Não tem porque, é porque sim
O que lhe traz sensação de liberdade é sua prisão
Dando que se recebe, não sendo roubado
O fim é um começo necessário
É preciso drenar as bolhas para continuar caminhando
Escolher não é desespero
Quando coração e alma estão preenchidos não há espaço para o mundano
Purpurinas para cima e para cima de mim
O medo que você tem, ele também, o que ele também, você tem
Não deixe que abusem de sua bondade
Pintar revela, escrever quase sempre é uma incógnita
Não se deve ser mais real que o rei
Não há nada mais gratificante do que se entregar a coroa
Há sempre aqueles que preferem não por a mão nisso

Há, ainda, aqueles que se recusam
O que é para você é para você, se não é, não é
Existe uma grande diferença entre o que é a vida e o que não é
Cuidado com os lagartos
Deparei-me, por várias vezes, com pessoas e seus abismos
Agrada-lhes aquele ventinho refrescante que vem, mas é abismo
Deparei-me, por várias vezes, com pessoas e seus venenos
Agrada-lhes aquele torpor que vem, mas é veneno

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Noite manhosa

E a noite resolveu chorar só porque lhe dissemos que não teríamos dores de cotovelo...
Chora não menina! Até que é bom, recupera e ainda limpa!
Mas ela não quis saber, fez barulho até cansar... tanto que relaxa...
Dorme, dorme, estou aí com você, teimosa feito criança, de quando em quando se lembrava que não teria suas dores e, novamente, tomava fôlego e voltava a chorar...
Veja menina, hoje você é nosso elo, está sobre as nossas casinhas! E ela, parecendo não querer entender, enchia mais uma vez seus pulmões e muita água caia...
Como fazer entender essa menina que a vida é esta mesmo, tem-se que ser pragmático, nem todo dia é dia de dores de cotovelo.
Venha aqui no meu abraço, vou lhe explicar como faço: Feche seus olhos menina! Isso assim mesmo, agora aproveita esse afago e abre seus olhos lá longe, leva ternura e um cafuné, entrega a quem de direito, volta e se acalma!
Agora mais conformada, resolveu fazer de suas lágrimas notinhas de uma canção de ninar.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Síndrome do hipopótamo


Desta vez chamarei de síndrome, pois não gostaria de cair na vala comum de mais um “complexo”...
Talvez até porque o “bichinho” adequado à sensação seja mesmo uma “Dinossaura” desajeitada, daquelas bem, bem pescoçudas!
Gargalhadas ao vento, pois agora me ocorreram o Jotalhão e a Tanajura... Se ao menos pudessem eles me ensinar algumas dicas!
Li em algum lugar que, para fazer o medo virar pó, é necessário desmistificá-lo, como naquele exercício na sala dos magos de Harry, ridicularize-o e ele cederá. Será?
Condenaram-me recentemente a não mais me envergonhar de meus sentimentos e coisas e tal, com isso, até exagero e carrego nas tintas, afinal quem nunca comeu melado, quando come ...
Pego, ainda, carona neste doce de mel e lembro-me quão escorregadio pode ser, derramado agora pelo chão onde estão as prateleiras com a fina e delicada porcelana oriental.
Ah Dona Dinossaura, de saltos antiderrapantes, veja lá! Não se mexa sem cuidado, por favor, olhe os cristais sobre sua cabeça! Cuidado! Cuidado!
Tudo tão lindo e puro (tudo tudo tudo – djavanessência pelo ar), mas veja só, como serão mesmo as mãos de uma Dinossaura? Nunca vi no detalhe, serão bípedes ou quadrúpedes, serão elas delicadas o suficiente? Se ao menos a espécie for daquela que evolui para o pingüim, acho que sim! Basta-me podar as garras para poder lhe massagear.
Desconfiava sim que ante a situação, esta princesinha, mais que o normal, apelasse para o reino animal, mas nada de sapos ou cavalos brancos, muito menos os pôneis de trancinha, vejam só, já somam mais que cinco! É a anti-regra.
Tanta fragilidade exibida que até põe susto! Sustinho! Sustinho! Passou... passou... Afaga-me os cabelos e volto a ser florzinha! Dou um pulinho, um giro no ar e sapeco-lhe um beijinho! Viu? Suas prateleiras continuam intactas!
Daquele elo entre o desejo e a lei, nem vou falar, paro por aqui!

domingo, 1 de junho de 2008

Súplica do Sapo


Agora estou abrigada pelo desconforto do sentimento de culpa, por que será que eles existem?
A mágoa não sei mais se ela é minha ou sua, só sei que desde que ela fez vez em nossas vidas um monte de faltas estamos cometendo. Hoje penso que algumas coisas estão irremediáveis, como a falta de diálogo e contato, pela distância que nos separa, mas esta distância que muitas e muitas vezes transpúnhamos dentro de uma pilha de pneus no porão, hoje é infinitamente grande para minhas projeções.
Engraçado que, apesar dos pesares tenho uma confiança cega em você, daquelas pautadas em tempos que cada vez mais desbotam-se da memória.
Faltam-me forças e visão para voltar a procurar e vislumbrar a trilha onde perdemos nossa cumplicidade e unidade, é como se estivessem presentes todos os ingredientes para o bolo mas não sei onde está a receita.
Jogo tudo dentro do caldeirão, lanço lá toda a nossa capacidade de amar, derramo sobre tudo um choro sentido, brilha e rebrilha e só sai pirita...
É a vida, é a vida! É não, não é, não pode ser! Muita cobrança e ironia, reprovação, medo. E amor? Não?
Acho que vou voltar lá na pilha, usar de minhas ultimas energias, para ver se viajando consigo achar novamente você e sua luz...
Será que deteriorei a tal ponto e fiquei ofuscada pelo seu brilho? Pois é certa e indubitável a luz que pressinto. Talvez tenha crescido e eu me esquecido? Não sei, só sei que daqui de onde estou não lhe vejo mais, não lhe toco mais, não lhe alcanço, resseco um pouco todo dia, desidratando pelos olhos e pela alma.
Deve ser culpa da minha miopia que leva você para longe um pouco mais a cada grau de dioptria.
Volta!!! Volta!!! Volta!!! Escuta essa voz abafada pelas engrenagens da vida...
Só tenho um argumento: Te amo um pouco mais a cada dia!
Leio e releio, penso e critico, está tudo tão dolorido que talvez só consiga mesmo arrumar mais alguns centímetros...
O tormento do medo é o pior que se pode ter como sentimento. Não estou tendo força nem visão para dele me despir, como um sapo querendo convencer o príncipe a lhe dar um beijo, cheio de verrugas e brotoejas, asqueroso e nojento.
A única magia que pode quebrar esse encanto maldito é aquela advinda da crença de que ainda valemos a pena, por favor não me engula, apenas me arranque dessa forma que tanto temo e é meu pior pesadelo.
Preciso do verde sim, mas não ser, somente ter um tiquinho! Não me condene ao resto da vida do verde!

Ensaio número 2

O calor das cores mesclado ao frio desta sensação arremessou meus pensamentos e acabei mergulhando numa outra que consome incessantemente.
As intenções são, invariavelmente, coloridas e as sensações, por sua vez, profundamente maiores que o ato.
O frio que hora me envolve é imenso se comparado àquele aconchego do ar canalizado entre as caternárias amarelas.
O anseio entorpecido pelo toque suave da pele, os corações descompassados unidos pelo abraço sereno, palavras silenciosas ditas ao meu ouvido direito.
O equilíbrio desesperador da simetria e o desejo calado daquela que é única neste contexto, fazendo-me projetar o calor em poder tê-la! Reclama sim meu lado esquerdo aquilo que o direito insiste em tomar só pra si, conjeturando se ela, quem sabe, perdendo-se pelos caminhos não se renderia.
A tortura vitimada por um ensaio fotográfico sem sentido, muita encenação e nenhuma saciedade, sofrimento absoluto ao projetar a imensidão do caos em ver frustrado o desejo mudo daquelas que são ímpares...
Calor, frio, tato, sentimento, torpor, risos, promessas.
Novamente torpor, o furto e uma entrega.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sopro de vida

Procuro antever possíveis pedras em seus caminhos.
Quero removê-las mas, por vezes, eu mesma tropeço e vou de boca...
O medo de ver o sangue jorrar da alma, cortada pelas navalhas dos incautos
Daquele vermelho que, por vezes, suja-me as mãos...
Preciso ver brilho em seus olhos, não daqueles encerados pelas lágrimas, daqueles que vem de dentro, da alegria, da felicidade, de ser.
Que papel cruel é este que nos encarregaram, ter-lhes de soprá-los aos céus como guarda-chuvinhas da esperança...
É certo e conforta que tantas vezes, ao final da tarde, junto com os raios do poente, somos contemplados por ela, é a vida.
Ah meus amados bailarinos alados, pudesse eu amparar seus pousos sempre no macio da seda, lagarta não sou, desfio rapidamente meu manto na tentativa de fazer-lhes ninho, mas tenho somente 4 espinhos.
Aqui, ao redor, há de haver sempre algumas pétalas, hora caídas, hora arrancadas, mas sempre macias para lhes abrigar.
Abençoe Criador estas minhas amadas Criaturas.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Crisol

Neste laboratório que é a vida vou experimentando o que se apresenta e, no crisol tudo misturo e depuro o que há em você.
Não pense, ou pense! Ah não, nem me conta, não disfarce! Ah....
Boas surpresas insistem em diluir o que é decepção.
Queria falar do paladar amargo dos dissabores, mas cheguei em tal ponto que para aborrecer-me tem que ser bem mais do que um jiló.
Ah que bom!
A resistência passiva dos seres, daqueles que deveriam estar ao meu redor...
Subtraem-me suas presenças de forma a desequilibrar meus sentidos e o que estava prestes a derramar.
Ei, vem comigo? Vamos descer a passarela?
De A a Z vou caminhando, sob o enfoque dos holofotes, palmas para ela que ela merece!
Mas e vocês? Por que não estão aqui?
Oi amigo! Toma uma cerveja!
Perde-se o gosto e o momento e, eu que queria perder-me em conjecturas de um dilema inexistente, somente para brincar com este estado de supressão de sentidos, levei apenas os decalques daquela que já homenageei um dia para ver se de mim a espantava.
Ei por que você não está aqui onde disse que estaria?
Não queria estar com sono, mas cônsona, rimando com você.
Sou adjetivada de tantas formas que meu substantivo se dilui...
Ei você? Onde foi parar?
Creolina não! Cândida não! Clorexidina não! E ai? Vai uma oxigenada?
Vamos pintar e bordar! Quem vai querer?
Ela com a crueldade que lhe é peculiar, para uns a liberação de um incômodo para outros uma tatuagem roxa, a bota sabota a sabura.
Oi, que alegria encontrar vocês!
Tem dias que a gente costura, tem dias que a gente espeta!
Ah, você deveria me proteger!
Espeto! Me machuco! Meu salto agulha tem dois gumes!
Abra o olho menina, senão a multidão te devora! Venham! Vamos comigo!
A bela e a fera, ferida...
Gás não! Arde e sufoca seu moço!
Prefiro ser o lobo mau!
Saiam já daqui!
Oi, cheguei!
Abraço o Minuano, ele me envolve, me assopra e me aquece desse frio aqui de fora!

Complexo de

Complexos:

Segundo o Aurélio:
Que abrange ou encerra muitos elementos, ou partes. Observável sob diferentes aspectos. Confuso, complicado, intrincado. Grupo ou conjunto de coisas, fatos ou circunstâncias que têm ligação ou nexo entre si. Conjunto de representações ou idéias estruturadas e caracterizadas por forte impregnação emocional, total ou parcialmente reprimidas, e que determinam as atitudes do um indivíduo, seu comportamento, seus sonhos etc.

(Veja só: é tão complicado para explicar que existe contradição na definição, mas tudo bem)

(Devo entender que ser “complexo” é ser reprimido? E o que eu faço sendo reprimido é um complexo? Mas o reprimido faz alguma coisa? Ah sei lá!!!)

Seja lá como for, dedico estas definições àqueles que disseram que o único complexo que existe é o de Golgi e, ainda assim, não se lembravam pra que servia! Viva os libertários!!! Viva, viva, viva!!!


De Golgi:
Lembre-se do Complexo de Golgi como um correio. Exatamente como a carta é levada ao correio para ser enviada a outra localidade, as proteínas e lipídios são transportados para o golgi para serem transportados para outras localidades do corpo.
(fonte: http://www.icb.ufmg.br/prodabi/grupo6/golgi.html)

De Édipo:
O Complexo de Édipo (3-5 anos de idade) é uma peculiar constelação de desejos amorosos e hostis que a criança vivencia em relação aos seus pais no pico da fase fálica.
Em sua forma positiva, o rival é o genitor do mesmo sexo e a criança deseja uma união com o genitor do sexo oposto.
Em sua forma negativa, o rival é o genitor do sexo oposto, enquanto que o genitor do mesmo sexo é o objeto de amor.
Em sua forma completa, num nível inconsciente, ambas as formas coexistem devido à ambivalência da criança e sua necessidade de proteção. A relação dialética entre ambas as formas vai determinar se o desejo humano seguirá uma orientação homo ou heterossexual.
Nessa estrutura triangular a interação entre os desejos inconscientes dos pais e as pulsões da criança desempenha papel fundamental na constituição do cenário edípico.
A proibição contra o incesto é uma lei universal nas mais variadas culturas. O destino de Hamlet mostra que mesmo um triunfo edipiano disfarçado pode tornar-se uma sombra ameaçadora, devido à trágica "gratificação" de seu desejo inconsciente.
O declínio do complexo de Édipo e a entrada no período de latência estão relacionados à ameaça de castração (meninos) e ao desejo de ter um bebê (meninas). A resolução do complexo, após a puberdade, é possível através da escolha de um substituto adequado para o objeto de amor.
O Complexo de Édipo mantém sua função de um organizador inconsciente durante toda a vida e forma um elo indissolúvel entre o Desejo e a Lei
(fonte: http://www.geocities.com/~mhrowell/complexo_de_edipo.html)

De Cinderela:
Complexo de Cinderela é a ambivalência entre a independência e a necessidade de ser amada. É como se as duas necessidades não pudessem existir, surgindo o conflito entre uma e outra. É a dependência emocional, ou seja, o desejo inconsciente de obter cuidados de outra pessoa (necessidade de dependência) e o medo da independência, de ficar sozinha.
(fonte: http://www1.uol.com.br/vyaestelar/complexo_edipo_cinderela.htm)

De Peter Pan:
A Síndrome de Peter Pan foi aceita em psicologia desde a publicação de um livro escrito em 1983 The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up ou "síndrome do homem que nunca cresce", escrito pelo Dr. Dan Kiley.
No entanto não há evidências de que esta síndrome seja uma doença psicológica real, e por isso não está referenciada nos manuais de transtornos mentais.
Esta síndrome caracteriza-se por determinados comportamentos, imaturos em aspectos comportamentais, psicológicos, sexuais ou sociais.
(fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Peter_Pan)

De Inferioridade/Superioridade
Um complexo de inferioridade, nos campos da psicologia e da psicanálise, é um sentimento de que se é inferior a outrem, de alguma forma. Tal sentimento pode emergir de uma inferioridade imaginada por parte da pessoa afligida. É freqüentemente inconsciente, e pensa-se que leva os indivíduos atingidos à supercompensação, o que resulta em realizações espetaculares, comportamento anti-social, ou ambos. – e vice-versa
(fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_de_inferioridade)
A pessoa portadora de um Complexo de Superioridade está tentando compensar sensações de inferioridade que lhe são inerentes.
(fonte: http://www.infoescola.com/psicologia/complexo-de-superioridade/)

De Urubu:
Quando utilizei essa expressão, estava ma referindo as pessoas que sentem uma atração pelo mórbido.
(fonte: http://www.dotgospel.com/forum/complexo-de-urubu-t5096.html)

De Esquilo:
É o que alguns chamam de "complexo de esquilo", uma mania de armazenar bagulhos como os pequenos roedores estocam nozes em suas tocas. [Ixi, acho que sofro desse hehehehe]

(fonte: http://www.forumpcs.com.br/coluna.php?b=115327)

Outros tantos:
De vira-latas, de Feiúra, de Hulk, de Bela, de Piscinas, de Lazer, de Saúde, de Vitaminas B, de Electra, de Bibliotecas, de Limpeza, de Números, de Tênis, de Férias, de Di, de Edifícios, de Amélia, de Othelo, de Inclusão, de Favelas, de Pinoquio, de Cristal, de Mameluco, de Napoleão, de Perseguição, de Reabilitação, de Sanção, de Deus , de Pesquisas no Google etc.

E, para fechar:

De Complexidade:
O erro dos psicólogos é acreditar que as pessoas são mais complexas do que eles próprios.
(fonte: http://fdr.apostos.com/2006/05/complexo_de_complexidade.html)

Agora, dedique uma canção a quem você ama:

Canta, dança, sem parar
Sobe, desce, como quiser
Sonha, vive, como eu
Pula, grita, ô ô ô ô ô ô...

Não segure muito teus instintos
Porque isso não é natural
Sai do sério, fala Alto, dá um grito forte,
Quando queira evitar
É saudável, relaxante, recupera
E faz bem a cabeça
Por isso canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô

Vá em frente, entra numa boa Porque a vida é uma festa
Não console, não domine, não modere
Tudo isso faz muito mal
Deixe que a mente se relaxe
Faça o que mandar o coração
Por isso canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

Não se reprima
Não se reprima
Pode gritar

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

Dança, canta, sobe, desce, vive, corre e pula como eu!

Canta, dança, sem parar
Sobe, desce, como quiser
Sonha, vive, como eu
Pula, grita, ô ô ô ô

Chega de fugir, de se esconder
E de deixar a vida pra depois
Não persiste mais, se o mundo gira,
O tempo corre, nada vai te esperar
Entra de cabeça nos seus sonhos
Só assim você vai ser feliz
Por isso canta, dança, grita, ô ô ô ô ô ô

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

Não se reprima
Não se reprima
Pode gritar

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Respingo de colorido

Da doçura do ar que adentra meus pulmões, sinto a paz...
Brinco agora com a bailarina branca nos raios de sol, poeirinhas brilhantes flutuam
Fecho meus olhos e brilhos de vaivém que me distraem, nessa calmaria flutuo.
Uma frestinha se abre, deixando passar a luz do seu olhar ao meu encontro
Tal como brisa fresca da manhã polinizou meus sonhos
A vida se abastece de vida e mais pedacinhos de vida
Seu semblante cheio de sonhos, acalma-me como um remanso, encontro apoio mesmo que me carregue no colo a plenitude
Longe ou perto, tanto faz, em algum momento fez-se a intersecção neste tabuleiro de casinhas brancas e pretas
Sigo agora para lá e você para acolá, tudo bem, é a vida e seus rumos.
Levamos conosco o que nunca ninguém e nada há de nos tirar e sabemos que crescemos o que nos cabia juntos, agora não somos mais papeis em branco, vamos colorindo nossas vidas e o mundo.

Confusão, turbilhão

Mistura mistura mistura
para frente, para trás, para um lado e para o outro
gira gira gira
para cima para baixo
enrola
junta tudo espalha
Mistura mistura mistura
Se não confundo, me confundo!
Denso, intenso, robusto, calórico
Insano, puro, enjoativo, estimulante
Salgado, doce, acre e apimentado
Infinito, acaba comigo
Um montão de muito me pega no despreparo, esse jeito de ser arrasa. Há quem diga que isso vem lá do outro lado, se for, de fato não temos a menor noção ou esquecemos do quão frágil é a carne.
Tanta energia e inércia, estigmas no corpo e na alma, eterna revolução dos sentidos, por vezes quase me sufoca.
Atormentados sonhos e, antes deles, a insônia – daquela dolorida e enlouquecedora – daquelas insanas que te levam ao manicômio da alma.
Gavetas de memória funcionam numa estranha sincronia, mexa numa e não saberá nunca o que será remexido. Gatilhos.
Ando arrastando trás de mim uma enorme folha de palmeira, tentando apagar minhas pegadas na areia, sem sucesso.
Um monte de mim dentro de mim, saco sem fundo, muita fome e pouca saciedade, um Quixote sem Sancho, buscando alguma sanidade.
A dor e a ferida revelam-se latentes, não importa em qual gaveta guardemos, pois ao olharmos para as cicatrizes somos remetidos ao tempo e espaço onde se originaram.
Você preso daqui, olhando para ali, nada pode mudar, ao contrário vê que em alguns casos o acaso lhe protegeu e, de toda a forma não poderia evitar. Corre de volta ao presente e vê a mesma sensação do “não sei” e a vida passando correndo sob seus pés.
Como posso ser light se não consigo paz para meditação? Cutuca, cutuca, dá choque, congela, atormenta, acalma, distrai e dorme.

O amor incondicional

Parece belo, na verdade o é.
Pensamos, por vezes, sermos capazes de senti-lo e, minha dúvida agora é: será? A cada dia que passa e a cada dor sentida dentro da minha alma e dentro meu coração mais parece que não.
Para que eu o possa sentir acabo por criar circunstancias condicionantes para que, de algum modo, não doa tanto e isso já é uma condição que derruba o termo incondicional.
Meu parâmetro sempre foi o amor de mãe, talvez seja o que mais se aproxima do conceito, mas não escapa da condição.
Vejamos: Amar incondicionalmente, em tese, seria amar com total despojamento ou necessidade de retribuição. Amar independente de tudo e qualquer coisa. Até aqui perfeito!
O que nos faz amar? Alguma coisa faz, alguma circunstancia, algum eco ou reflexo dentro da gente e isso já é uma condição.
Será que é da natureza humana ou de minha natureza desejar troca? Isso deturpa o amor incondicional, pelo menos aqueles dos folhetins, aqueles narrados pelos poetas?

Na verdade, vasculhando migalhas de pão derrubadas pelo caminho, seguindo uma trilha deixada por meu querido pai, achei um manuscrito que dizia:

"O negócio é assim, isto é ciência, não é invenção minha:
1- Quando somos crianças temos a necessidade imperiosa de receber carinho, ternura e amor!
2 - Quando somos jovens temos necessidade imperiosa de dar, somente dar - não nos preocupa receber!
3 - Quando amadurecemos temos necessidades imperioras iguais de dar e receber em doses iguais, do contrário nossa felicidade vai ao fundo!
4 - Quando estamos na velhice temos novamente a necessidade de receber outra vez como quando eramos criancinhas! E assim é a vida! Assim é que conseguimos alegria em nossas almas.
Nunca devemos odiar, ter medo, desconfiar, ter ciumes, ou desprezar, pois todos esses sentimentos negativos são incompativeis com o amor!
O amor é a unica pista que nos conduz ao aeroporto da felicidade, motivo da gente viver!"



Talvez isso explique minha fase atual...


Precisava dar alguma validade cientifica ao amor incondicional então, passei a misturá-lo com outros sentimentos para ver no que se transformaria e o que sobraria.
O amor incondicional é como o ouro que se liga facilmente a outro metal, a mistura encontrada entretanto pode ser satisfatória ou não, dependendo do que ali se fundiu, mas, ao aquecer novamente é possível desmembrá-lo e ele ainda será o que é.
Amar independente de qualquer coisa, é isso! Não importa quanto a alma sapateie querendo outra coisa, não importa o quanto a carne sofra, não importa o que se tem de volta, ele, o amor incondicional, teimosamente fica!

Botinha Ortopédica



Quem nunca teve um primo, amigo ou coisa que o valha na infância que usava aquela botinha ortopédica? Penso eu que pessoas de "gênio forte" tem os pés chatos! E a chatisse dos pés, por vezes, acaba "pegando" o restante de ser.



Será que o peso das botinhas afeta o humor? Ou será que o fato de todas serem pretas como os antigos "Fords" irrita tão profundamente a alma que os donos das botinhas ortopédicas tornam-se seres virulentos que, ao menor sinal de irritação, lançam decalques nas canelas alheias?

Um chute, seja como for, de pé descalço, de conguinha ou kichute dói muito, mas os de botinha ortopédica ah... esses são dolorosos e inesquecíveis.

Se soubessem a inveja que causam talvez se sentissem menos oprimidos e menos raivosos, ou será que não sabem que o decalque causado por uma botinha ortopédica nenhum outro sapato é capaz de causar na canela de ninguém?

As pessoas, por vezes, sem noção de seus poderes, chutam-nos a canela sem dó nem piedade!

O que me resta agora, senão sair correndo e calçar meu salto agulha? Se costuro ou espeto, ainda não sei!

O bem é o bem, às vezes não lhe cai bem

Água mole em pedra dura...

O que nos faz lutar ou, ao menos, remexer na vida e pensamentos alheios é uma crença tola de que se está vendo algo que vale a pena ser remexido.

Certa vez conheci um garotinho que havia se acostumado a viver sujo, eu lhe dava banho, vestia-lhe roupinhas limpas e, quando acabava de pentear-lhe os cabelos ele saia correndo até o quintal e rolava no chão até ficar sujo de novo.

Dei-lhe muitos banhos, vesti muitas roupinhas limpas e o ritual sempre se repetia. O bem lhe caía como mais uma agressão no meio de tantas que havia sofrido.

Um dia ele desistiu de mim e foi devolvido ao seu mundo. Passado algum tempo notícias me chegaram de que ele já alcançava o registro do chuveiro e havia aprendido a tomar banho sozinho, mesmo voltando a viver naquele ambiente que o havia habituado a viver sujo.

Um misto de felicidade e tristeza me invadiu, felicidade porque o garotinho aprendeu a se sentir bem com a limpeza e a tomar banho sozinho, uma tristeza enorme por não poder sentir o seu cheirinho...

A sacanagem da vida é que ela muitas vezes nos entrega “cangotinhos” encardidos para banhar e, nem sempre nos devolve para “cheirar”.

Sonhei sim...

Noite passada tive um sonho daqueles que não dá vontade de acordar, sonhei com você.
Não havia nenhum efeito pirotécnico típico dos sonhos, nada de efeitos especiais. Havia eu e você, uma cor que variava entre o seu azul e o meu lilás. Havia um abraço, um beijo, um hálito e uma felicidade tão simples que até parece bobagem....

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Carona com Drummond



O cartão perfeito, as pessoas perfeitas, o sentimento perfeito, as emoções perfeitas...
Mas e o momento? E os temores? Os fantasmas? E todos os pequenos detalhes que nos põem em xeque o tempo todo?
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar... (antídoto)
Se o momento não estiver preciso, exato... ah se estiver desigual...
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
Se os temores pegarem carona em algum holofote que os faça parecer maiores do que são com suas sombras enormes nas paredes?
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
Os fantasmas... filhotes hiper desenvolvidos dos temores... simpáticos somente nos desenhos animados... fofinhos? Não só o gasparzinho... Nascidos em outras de nossas vidas e constantemente alimentados por nossa alma ressabiada...
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
E cadê a cumplicidade? Ah, ela ainda é uma menina flor, tão pequena e frágil...como poderia ela nos proteger se ainda não a deixamos crescer?
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
Ficar em pé, não esmorecer, não amargar, não se precipitar no caos dos objetos de não amor, não magoar...
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
Ah Drummond nos ajude! Deu-nos de graça a receita, mas parece tão banal que não causa o efeito que deveria...
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
todos os dias da vida de meia em meia hora de 5 em 5 minutos
Amar amar amar, acreditar acreditar acreditar (antídoto)
Mas como amar e acreditar sem o combustível necessário?
Ele está lá. Dentro do peito, transbordando nos olhos, exalando pelos poros e invisível aos incrédulos.
Amo amo amo você! Acredito acredito acredito em você! Respiro dos seus pulmões, reflito-me em seus olhos, transpiro na sua pele e estou aqui.
Você é minha melhor surpresa! Você é meu sonho consciente! Meu maior anseio e meu maior medo. Mas não fujo. Fico. Quero viver você.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Despedida

Agora deixo você ir
Gostaria que ficasse, mas eis aí algo que não posso lhe pedir
Um sonho bom é o que posso guardar
Saudades de momentos que não vivi.
Imolarei, talvez prematuramente, meu amor por ti
Hoje, neste momento, vejo que o nosso “timing” está desencontrado
Seus anseios presentes nos remetem na contramão um do outro
Olho para você, menino que é, e vejo que está a postos para aprender
Yes, é seu momento mais primitivo, de buscas em protótipos e biótipos
Imagino que nem tenha percebido, mas sua profundidade agora é rasa
Kantiano em sua busca entre o que é e o que deve ser
Um momento que é seu e do qual não faço parte...
Yupiiiiii no looping que hoje me causa vertigem
Resisto, não posso querer para mim
Antevejo seus momentos vindouros e o espaço que se abre
Sei que deles não farei parte e você nem vai sentir
Em alguns deles estarei próxima, mas só na platéia
Contemplando seu sorriso feliz.
Freando meus sentidos digo: Amo você menino.
E, sob uma lágrima rolada, deixo um beijo.

Sempre em frente?

Há quem, com muito gosto, se vanglorie por nunca deixar de ir sempre em frente!
As coisas não estão bem? Siga sempre em frente, pra frente é que se anda!
Num contexto de mundo redondo, ir sempre em frente pode te levar exatamente ao mesmo lugar que esteve um dia. (Li isso em algum lugar).
Pra mim, existe hora de ir e hora de ficar, hora de andar de lado e hora de se esquivar.
De perto ou de longe, é tudo uma questão de objetiva em foco ou dando zoom, não se pode olhar nada tão de perto que se perca a dimensão do contexto, tampouco, tão de longe que se perca o detalhe.
Pregar-se a falta de convenção e liberdade de atitudes e pensamentos e se prender numa mente obtusa incapaz de chegar perto o suficiente para ver o detalhe e não se afastar o suficiente para ter uma visão mais contextualizada da situação.
É como adotar a postura do sempre em frente sem a menor noção de que não se está indo a absolutamente nenhum lugar, posto que está preso a trilhos que o levarão sempre ao ponto de partida.
Talvez agora seja um momento de esquiva e encantamento, só espero que não demore demais a ver, pois, de um momento a outro, que passa num piscar de olhos, posso ofuscar sua mente brilhante e não mais permitir a aproximação que agora entregaria como prêmio de uma genuína conquista e que, ao depois, poderá tornar-se uma distância segura e bem posta para que não mais possa alcançar-me com as mãos.
O preço do tempo perdido pelos que ignoram o supra-sumo dos sentimentos em detrimento das convenções, aos que amam a liberdade de ser, mas que não se atrevem a vivê-la.
A liberdade consiste em ser e não em estar, olhe o porto! O mar lhe dará sempre uma sensação de infinito, mas nada como aportar.
Não, ninguém é seguro o suficiente para se manter soberano o tempo todo. Há momentos de andar de lado.
Há uma distância, por hora, ilusória em termos de espaço e infinitamente grande em termos práticos, a falta de alguma coisa que resulte em ser. Um ato, um gesto, uma atitude.
Vejo-lhe perdido em seus círculos de semiconsciência, querendo aquilo tudo que sua mente aguçada lhe aponta e suas lentes turvas lhe impedem de ver.
O que lhe causa alegria quando é visto na amplitude do seu próprio ser é, exatamente, o que deve procurar para se encontrar, as formas, por vezes, podem parecer estranhas mas há um contexto maior a ser observado, mas isso tudo é para a vontade de muitos e a coragem de muito poucos.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Doar

Efêmero em seus sentimentos...
Volátil em suas atitudes...
Para que você não evapore entrego-lhe o que precisa e, assim, o mantenho próximo a mim.
Se meu coração estiver enganado, me redimo dando-lhe somente o que almeja.
Brinco com você e desvio sua atenção, aguçando sua curiosidade o mantenho entretido preocupado com minhas nuances e impedido de sofrer.
Se eu jamais puder saborear o que anseio, estarei protegida pelo espelho do que sua alma está preparada para ver.
Doando recebo, não exatamente o que desejei receber mas, ter o seu sorriso e saber da sua dúvida, por hora, me basta.

sábado, 10 de maio de 2008

Ausência

Ando sentindo sua falta, falta de alguém que ainda não tive por perto.
Falta de um futuro que nem sei se existirá.
Minha alma acordou violeta.
Acordei precisando de colo, acordei precisando de ombros, acordei precisando de abraços, acordei precisando de você.

Bola de Cristal

Hoje acordei um pouco triste, um pouco nublada como o dia ...
Muitas nuvens, pouco sol...
Um pouco de frio me fazendo sentir solidão...
Fiquei a imaginar olhando algumas insistentes flores que ainda existem no jardim e pensei:
Gostaria de ter uma bola de cristal, poder olhar para ela e ver um filme...
Neste filme estaríamos juntos e felizes...
Não tenho bola de cristal e meus pés estão frios.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

TUNG JÊN

_____ _____
_____ _____
_____ _____
_____ _____
___________
___________




TUNG JÊN/ COMUNIDADE COM OS HOMENS -A imagem do trigrama superior, Ch'ien, é o céu; a do trigrama inferior, Li é a chama. Por sua própria natureza, o fogo arde em direção ao alto, rumo ao céu. Isso sugere a idéia de comunidade (união). Devido a seu caráter central, é a segunda linha que reúne a sua volta as cinco linhas fortes. Aqui a clareza encontra-se no interior e a força no exterior, o que mostra a união pacífica entre os homens, que para manter sua coesão necessita de uma pessoa suave entre muitas firmes. O céu se movimenta na mesma direção que o fogo e, no entanto,são muito diferentes um do outro. Como a comunidade(união), deve basear-se em interesses de caráter universal, e não em propósitos particulares do indivíduo. Homens ligados por um sentido de comunidade, primeiro choram e se lamentam, mas depois riem. Após grandes lutas, conseguem encontrar-se. Duas pessoas estão exteriormente separadas, porém unidas em seus corações.Suas posições na vida as mantém separadas. Ergue-se, entre elas, muitos obstáculos e impedimentos, causando-lhes tristezas. Mas elas não permitem que nada as separe e permanecem fiéis uma a outra. E ainda que a superação desses obstáculos exija grandes lutas, elas vencerão, e ao se reencontrarem suas tristezas se transformarão em alegria. COMUNIDADE COM OS HOMENS em espaço aberto.Sucesso.É favorável atravessar a grande água.É favorável a perseverança do homem superior.

(e que assim seja!)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Domar, amarelejar

O tempo passa, a ansiedade sufoca, pinica a alma da gente.
Preciso domar meus instintos e anseios...
Vou dormir, nem mesmo naquele momento sublime do quase morte minha alma sossega!
Desobediente quer pensar em você e eu, ardilosamente tento induzi-la a outra atitude.
Qual não foi minha surpresa ao ver que queria pensar no que será que você pensava?
Meus gênios maus, com absoluta maldade, puseram-me a pensar no pior que poderia ser.
Desde o não pensar em mim, até pensar de forma que não queria que pensasse.
Esse monte de tipos de amor que existem por ai, aliados às carências das pessoas em determinados momentos de suas vidas, podem gerar o que queremos e o que não queremos.
O que queremos em função de nossas próprias carências e o que não queremos das carências alheias, se as carências não forem harmônicas o abismo se abre.
E se o que quero ver não for o que quer mostrar? E se o que mostro não é o que quer ver? Disfarçaremos então nossas carências e, muito sem graça, o sorriso ficará amarelo, o dia ficará amarelo.
Acho que amarelei. Não é típico da minha coragem amarelar, mas posso dizer que estou aprendendo a domar meus anseios. Nada! É só medo, medo de que você fique amarelo.
Não quero conjugar o amarelar, quero conjugar o amarelejar.
Porém, a falta de ação assombra e torna-se única opção ante a imprecisão do que vejo, meus olhos turvos confundem-me o tempo todo, eles querem ver o que quero que eles vejam, guiados por um querer que sai da ansiedade, não filtram o que deve ser visto com a alma.
Engraçado como o meu ilimitado limite esbarra no seu e se perde, poderia se fundir, mas se perde, deve estar permeado de condicionantes que deslizam nas barreiras do seu, mesmo sem que eu saiba ao certo quais são.
Guardo esta sensação confusa como referência, é a que tenho agora, só sei que é ela, neste momento, que me impede de amarelejar.
A ansiedade se afina com a paixão, a paciência com o amor. Assim, vou esperar pacientemente a ansiedade passar, se algo ficar, é ele: o amor.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Reflexão | oãxelfeR

Ando com medo de não mais ser luz, devo ter perdido meu brilho por ai e nem me dei conta disso.
Eu que sempre causei reflexão, eu que sempre doei, eu que distribuía... Agora me vejo querendo beber da sua luz...
Refletindo, acho que ando refletindo demais...
Efêmero, quero te sentir e você é sonho, quero te pegar e você é essência. È um querer que não acaba mais.
Sinto-me como um desses perdidos buracos no espaço, mas se é assim, não adianta comer luz, não haverá onde refletir...
Enquanto isso vou te absorvendo e você nem percebe, percebe sim...
Aqui não é lugar para você.
Leio todos os meus manuais e não há receita de como lidar com isso.
Não fuja!
Te abocanho como uma nuvem e te exalo pelo nariz, transita pelo meu ser e nem percebe, percebe sim...
Que coisa! Saia já daqui!
Te assusto e faço mil caretas e você se diverte, era para sair correndo e você ainda está aqui...
Você que é tão pequeno ainda, se aproxima e cresce e, quando me dou conta, já há abrigo nos braços teus ...
Há um problema de perspectiva nos meus olhos mas não há na minha alma.
Agora sumiu e não mais está aqui.
Vazio.