Repetia-se diariamente na escola infantil uma daquelas declamações que somos obrigados e que se diz sem entender e saber o que significa, apenas como sacrifício obrigatório: “Uns têm e não podem, outros podem e não têm, nós que temos e podemos damos graças a Deus, obrigado papai do céu pelo lanchinho que vamos tomar!” Dito isso estavam todos liberados a desembestarem rumo à fila...
Confesso que já naquela época esperava a multidão se dissipar para chegar a minha vez, sempre neste intervalo, entre a multidão e a minha vez, ficava repetindo em pensamento aquele pré-castigo necessário à hora do lance... Uns têm e não podem, outros podem e não têm... Não me fazia nenhum sentido e, só recentemente entendi o que significava aquele mantra...
Vejo que em tudo na vida acontece uma situação ou outra e que, quando as duas se unem não necessariamente se está com apetite para, era o que geralmente acontecia na hora do lanche da escola, mas sempre me via obrigada a comer porque não teria outra hora para fazer aquilo.
Ao longo da vida, entretanto, ganha-se mais um ingrediente para decidir se quer e vai fazer algo quando a dúplice aliança entre o ter e o poder se fundem... É chegada então a tríplice: ter, poder e querer. E, assim, cada vez mais raras são as atitudes. Nem mesmo a fome do corpo ou da alma resolvem isso, é preciso ter, poder e querer...
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2 comentários:
É... e as vezes a gente até quer, mas se acomoda, foge, deixa pra lá. As vezes a gente finge que não sabe que é a felicidade que tá passando ali na frente...e deixa ela passar. Por que será que a gente faz isso?
É o que mais tenho me e lhes perguntado ultimamente... Essa vida da gente...
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