Falei dia desses a respeito das ilusões e dispositivos que criamos para viver...Falei da primavera, das flores insistentes que dão no inverno, daquelas que quando menos esperamos desaparecem
Falei das fadas desvanecendo, do movimento contrário e da essência e do motivo...
Falei dos dinossauros e suas patas, do verso e do reverso, de tudo o que se me dá...
Das personagens secundárias e dos valores... falei até mesmo do que não se pode revelar...
Hoje haverá um funeral, daquela estrela que tantos já não agüentavam mais, daquela que se pensava ser eterna e imortal...
Mudanças de planos! Sua essência jamais se perderá, mas quem não tem olhos jamais a verá novamente, quem não tem ouvidos, sinto, mas não mais ouvirá, quem não tem tato, lamento, mas não mais sentirá seu afago... Na verdade já é missa de sétimo dia!
Algum tom ameaçador? Se sim, sinto novamente, mas é porque agora lhes falta alguns dos sentidos que não se desenvolveram, e isso também já era previsto, como a distância segura...
O sangue hoje está derramado por todos os lados, nos meus braços, nas minhas pernas e manchado de marrom na minha alma, o coração? Não sei, faz dias que não o sinto retumbar...
Olho a verdade refletida no espelho diariamente e vejo claramente o que se foi...
Quando se pensa não haver mais nada que se possa subtrair, um novo decalque surge e cicatriza eternizando o que para uns é motivo de orgulho e respeito e, para outros tantos, ojeriza e desclassificação...
Esta aloucada vate não traçará mais nenhuma previsão, não sofrerá com as boas intenções, tampouco cultivará potenciais... veremos tudo o que for branco no preto (e vice-versa), o que for vermelho ou azul, e também, o violeta...
Desisto porque não há mais o que se preservar, falhei! Falhei um milhão de vezes e, manda o bom senso que não se insista no erro... portanto, não insistirei.
A cada pão, pão! A cada queijo, queijo! A cada olho, olho e a cada dente, uma mordida!
Quer café sem açúcar? Hoje é o que tenho para oferecer... Quer açúcar? Traga consigo.
Quer pintar com minhas canetinhas? Empreste-me, simultaneamente, seus aquareláveis, senão, nada feito! Afinal, não é dando que se recebe? Então, por hora, chega...
Não preservarei mais ninguém, seja você, você, você ou mesmo eu... Vamos navegar e ver onde vai dar, quem quiser que reme, agora vou somente espectar...
O igual para igual inexiste, nem mesmo o que se cria e o que se planta, todos têm seus direitos e disso não se olvidam, todos têm seus deveres e a isso sonegam...
Dei-me conta desta geração, deste presente, onde as crianças que cresceram tiveram seus valores (ou falta deles) formados fora de seus lares (que lares?), filhos de pais e mães ausentes ou muito ocupados e me pergunto: O que é que será passado pra frente?
Todos choram as mesmas dores e não entendem o que é que dói... Se revelo, novamente, tentarão corromper...
Simula-se, mescla-se, perde-se, deteriora-se, desvirtua-se e não há raízes para germinar...
Acreditem, tudo está ai onde deveria estar, sempre esteve e sempre estará, abram os olhos! O vinho deve ser servido e sorvido em taças! É só o que posso declarar...
Deixe-me ir agora, tenho muito a limpar... monte delas... (brincadeira, quando se vão, evaporam, é só força de expressão).
Já disse, mãos para quem é de pão, beijos para quem é de queijo, visão para quem é de olhos, e alma para quem é de dentes! E, quem viver, verá! Afinal, é a vida...
(Bravo, Bravíssimo! - E o caralho para quem não entender!)
2 comentários:
"Quer café sem açúcar? Hoje é o que tenho para oferecer... Quer açúcar? Traga consigo" - Ô minha querida... é necessário colocar doçura no dia-dia, mesmo sendo, às vezes, tão difícil. Eu tento sempre ter uma reserva. Se vc. quiser te dou um pouco, quer?
Gabriela aceito seu açúcar sim...
Sem querer justificar, mas já justificando, reforço neste texto o contexto da "troca", "dar e receber", e não só ir se servindo...
Até termino o texto desdizendo o que disse, mas é bom que exista sempre a vontade de compartilhar!
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