domingo, 13 de julho de 2008

Campos de Trigo

“Eu tava mexendo no violão, comecei a fazer a melodia e aí, a primeira coisa que apareceu foi exatamente cidade submersa, isolada de tudo, porque cantarolando parecia (a cidade submersa) parecia que a música queria dizer isso.
Eu tinha que ir atrás depois, tinha que explicar essa cidade submersa, tinha que criar uma historia. Apareceu exatamente a cidade submersa antes de qualquer outra coisa. Aí eu coloquei esses escafandristas e, e esse amor adiado, esse amor que fica pra... pra sempre né, essa idéia do amor, essa idéia do amor que existe como algo que pode ser aproveitado mais tarde, digamos que não se desperdiça e passa-se o tempo, passam-se milênios e aquele amor vai ficar até debaixo dágua né, e vai ser usado por outras pessoas, amor que não foi utilizado, porque não foi correspondido, então ele fica impar né, fica impar pairando ali, esperando que alguém apanhe e complete a sua função de amor...” (Chico Buarque)


Meu caçula, meu amiguinho, meu primeiro filho, meu também imparzinho ser, meu irmãozinho... olhou-me um dia e disse: ... Tem gente que é par e tem gente que é impar... Você é impar...
Vaticinou e não entendeu porque é que minha alma sofria...
Juro que tentei a todo custo escapar da sina, esperando que quem decantasse me compusesse poemas, versos, trovas e celebrássemos com harpas bailando mesmo que sem no chão tocar ...
Cristalizando agora minha alma...ah vida! Com medo que eu acabe por esquecer-me do resto da humanidade, não quer vê-la preenchida.
Jamais deixarei de amar, continuarei aqui a sonhar em meio aos campos de trigo, até que me leve nos braços após vislumbrar o que realmente tenho...


2 comentários:

Sartre disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Inocente disse...

Eu também não pretendo esquecer-me de mais nada na vida... aliás venho retreinando minha alma a não mais apagar nada, seja de bom ou de sofrimento (a folha de palmeira)... Despi e despedi-me dela...
Quero olhar todas as minhas pegadas na areia, quero brincar com elas... quero sonhar com as próximas e o que vem...
Não viver o que é vívido e intenso, puro, genuíno e cheio de marcações cotidianas é que submerge qualquer cidade...

O que se busca é, também, o que quer seja encontrado...