Hoje minha alma chora sentida por tudo que se perde nesta vida
Dinossauros, somos dinossauros quase extintos em meio a isso tudo
Não queria ser autora de mais um complexo, mas ei-lo:
Complexo de Dinossauro:
Quando você se sente um ser em extinção
Olha ao seu redor e o romantismo parece algo que já foi lenda um dia
Percebe que o cavalheirismo é termo esquecido dentro de algum livro de fábulas
Por sua vez, verdadeiras damas não passam hoje de peças isoladas em um tabuleiro de casinhas pretas e brancas
Que a gentileza e boa educação fazem parte de discursos de folhetins amarelados
Que a sinceridade terna, os olhos nos olhos, consideração são, no máximo, versos rimados de alguma letra de música do passado
Quando se é tido como démodé, embora quem lhe julgue talvez nem saiba que este termo existe
Seus modos, mais que sua aparência em si, o fazem parecer que está a anos luz de distância dos “modernos”
Ser capaz de chorar pela alma, um choro sofrido refletido no espelho dos olhos, só porque lancinantes dores lhe impingiram ao coração e, tudo isso ficar invisível e mudo aos ouvidos dos incautos
Ser capaz de amar, só porque sim, independente de gênero, número e grau, amar com tamanha repleção que aos menos avisados pode parecer banal
Trajar-se elegante e discretamente em respeito aos rituais e ser tido como alienado
Ter rituais nas mais comezinhas atividades do dia a dia
Ser um ser daqueles que sabe que profundidade não é opção de vida, é ser
Levar a vida com Glamour e se apiedar daqueles que nem sabem o que é isso
Isso tudo lhe faz um Dinossauro... não, não há nada bruto nisso, não, não há nenhum perigo nisso, não para os outros, só para você mesmo que irá, com toda a fragilidade inerente a este tipo de ser, expor-se à incredulidade e insensibilidade alheias.
Dedico o complexo de hoje aos poucos e quase extintos Dinossauros e, também, a todos aqueles que se aventuraram a compartilhar dos sonhos destes, posto que incólumes não sairão de tal experiência.
Que sejamos eternos enquanto durarmos.
Selo o conteúdo com uma gota daquela que recobre o beijo.
terça-feira, 15 de julho de 2008
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4 comentários:
Eu me vejo na descrição do "Complexo de Dinossauro"... gosto de ser dinossauro, somos diferentes por isso!
Mas, conheço a dor e a solidão de ser dinossauro... principalmente qdo encontramos insensibilidade naqueles que tentam ser dinossauros. Tentam, mas não se libertam o suficiente para isso... tentam, mas são modernos demais.
As vezes, crio falsas esperanças de ter encontrado o "Vale dos Dinossauros"... Não sei se entendi o "dodói", mas entendi o démodé...
Vamos conversar ao vivo. te amo
O preço do tempo perdido pelos que ignoram o supra-sumo dos sentimentos em detrimento das convenções, aos que amam a liberdade de ser, mas que não se atrevem a vivê-la...isso tudo é para a vontade de muitos e a coragem de muito poucos
tenho dito!
Não sei se mantenho a tristeza melancólica que estacionou entre mim e a tela, ao me deparar com uma verdade (algo em que acredito) bem de frente - o tal "dedo na ferida" - ou cultivo íntima e tímida alegria sentida a cada vez que me permito imaginar não estar tão só neste mundo louco...
Procurarei reter comigo a primeira impressão, o primeiro sentimento, raro que é e importante como peso de resistência, pras vezes em que me sentir quase sucumbir, a me perder de mim mesma, em busca de qualquer compreensão ou essência semelhante, em meio à enxurrada insana que a tudo procura arrastar, bruta, insensível e sem critério.
Alelê
ao publicar este texto tive a grata surpresa de descobrir vários da espécie ainda sobreviventes!
obrigada pela visita!
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