Há quem, com muito gosto, se vanglorie por nunca deixar de ir sempre em frente!
As coisas não estão bem? Siga sempre em frente, pra frente é que se anda!
Num contexto de mundo redondo, ir sempre em frente pode te levar exatamente ao mesmo lugar que esteve um dia. (Li isso em algum lugar).
Pra mim, existe hora de ir e hora de ficar, hora de andar de lado e hora de se esquivar.
De perto ou de longe, é tudo uma questão de objetiva em foco ou dando zoom, não se pode olhar nada tão de perto que se perca a dimensão do contexto, tampouco, tão de longe que se perca o detalhe.
Pregar-se a falta de convenção e liberdade de atitudes e pensamentos e se prender numa mente obtusa incapaz de chegar perto o suficiente para ver o detalhe e não se afastar o suficiente para ter uma visão mais contextualizada da situação.
É como adotar a postura do sempre em frente sem a menor noção de que não se está indo a absolutamente nenhum lugar, posto que está preso a trilhos que o levarão sempre ao ponto de partida.
Talvez agora seja um momento de esquiva e encantamento, só espero que não demore demais a ver, pois, de um momento a outro, que passa num piscar de olhos, posso ofuscar sua mente brilhante e não mais permitir a aproximação que agora entregaria como prêmio de uma genuína conquista e que, ao depois, poderá tornar-se uma distância segura e bem posta para que não mais possa alcançar-me com as mãos.
O preço do tempo perdido pelos que ignoram o supra-sumo dos sentimentos em detrimento das convenções, aos que amam a liberdade de ser, mas que não se atrevem a vivê-la.
A liberdade consiste em ser e não em estar, olhe o porto! O mar lhe dará sempre uma sensação de infinito, mas nada como aportar.
Não, ninguém é seguro o suficiente para se manter soberano o tempo todo. Há momentos de andar de lado.
Há uma distância, por hora, ilusória em termos de espaço e infinitamente grande em termos práticos, a falta de alguma coisa que resulte em ser. Um ato, um gesto, uma atitude.
Vejo-lhe perdido em seus círculos de semiconsciência, querendo aquilo tudo que sua mente aguçada lhe aponta e suas lentes turvas lhe impedem de ver.
O que lhe causa alegria quando é visto na amplitude do seu próprio ser é, exatamente, o que deve procurar para se encontrar, as formas, por vezes, podem parecer estranhas mas há um contexto maior a ser observado, mas isso tudo é para a vontade de muitos e a coragem de muito poucos.
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