quinta-feira, 15 de maio de 2008

O bem é o bem, às vezes não lhe cai bem

Água mole em pedra dura...

O que nos faz lutar ou, ao menos, remexer na vida e pensamentos alheios é uma crença tola de que se está vendo algo que vale a pena ser remexido.

Certa vez conheci um garotinho que havia se acostumado a viver sujo, eu lhe dava banho, vestia-lhe roupinhas limpas e, quando acabava de pentear-lhe os cabelos ele saia correndo até o quintal e rolava no chão até ficar sujo de novo.

Dei-lhe muitos banhos, vesti muitas roupinhas limpas e o ritual sempre se repetia. O bem lhe caía como mais uma agressão no meio de tantas que havia sofrido.

Um dia ele desistiu de mim e foi devolvido ao seu mundo. Passado algum tempo notícias me chegaram de que ele já alcançava o registro do chuveiro e havia aprendido a tomar banho sozinho, mesmo voltando a viver naquele ambiente que o havia habituado a viver sujo.

Um misto de felicidade e tristeza me invadiu, felicidade porque o garotinho aprendeu a se sentir bem com a limpeza e a tomar banho sozinho, uma tristeza enorme por não poder sentir o seu cheirinho...

A sacanagem da vida é que ela muitas vezes nos entrega “cangotinhos” encardidos para banhar e, nem sempre nos devolve para “cheirar”.

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