Ando com medo de não mais ser luz, devo ter perdido meu brilho por ai e nem me dei conta disso.
Eu que sempre causei reflexão, eu que sempre doei, eu que distribuía... Agora me vejo querendo beber da sua luz...
Refletindo, acho que ando refletindo demais...
Efêmero, quero te sentir e você é sonho, quero te pegar e você é essência. È um querer que não acaba mais.
Sinto-me como um desses perdidos buracos no espaço, mas se é assim, não adianta comer luz, não haverá onde refletir...
Enquanto isso vou te absorvendo e você nem percebe, percebe sim...
Aqui não é lugar para você.
Leio todos os meus manuais e não há receita de como lidar com isso.
Não fuja!
Te abocanho como uma nuvem e te exalo pelo nariz, transita pelo meu ser e nem percebe, percebe sim...
Que coisa! Saia já daqui!
Te assusto e faço mil caretas e você se diverte, era para sair correndo e você ainda está aqui...
Você que é tão pequeno ainda, se aproxima e cresce e, quando me dou conta, já há abrigo nos braços teus ...
Há um problema de perspectiva nos meus olhos mas não há na minha alma.
Agora sumiu e não mais está aqui.
Vazio.
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