Mistura mistura mistura
para frente, para trás, para um lado e para o outro
gira gira gira
para cima para baixo
enrola
junta tudo espalha
Mistura mistura mistura
Se não confundo, me confundo!
Denso, intenso, robusto, calórico
Insano, puro, enjoativo, estimulante
Salgado, doce, acre e apimentado
Infinito, acaba comigo
Um montão de muito me pega no despreparo, esse jeito de ser arrasa. Há quem diga que isso vem lá do outro lado, se for, de fato não temos a menor noção ou esquecemos do quão frágil é a carne.
Tanta energia e inércia, estigmas no corpo e na alma, eterna revolução dos sentidos, por vezes quase me sufoca.
Atormentados sonhos e, antes deles, a insônia – daquela dolorida e enlouquecedora – daquelas insanas que te levam ao manicômio da alma.
Gavetas de memória funcionam numa estranha sincronia, mexa numa e não saberá nunca o que será remexido. Gatilhos.
Ando arrastando trás de mim uma enorme folha de palmeira, tentando apagar minhas pegadas na areia, sem sucesso.
Um monte de mim dentro de mim, saco sem fundo, muita fome e pouca saciedade, um Quixote sem Sancho, buscando alguma sanidade.
A dor e a ferida revelam-se latentes, não importa em qual gaveta guardemos, pois ao olharmos para as cicatrizes somos remetidos ao tempo e espaço onde se originaram.
Você preso daqui, olhando para ali, nada pode mudar, ao contrário vê que em alguns casos o acaso lhe protegeu e, de toda a forma não poderia evitar. Corre de volta ao presente e vê a mesma sensação do “não sei” e a vida passando correndo sob seus pés.
Como posso ser light se não consigo paz para meditação? Cutuca, cutuca, dá choque, congela, atormenta, acalma, distrai e dorme.
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