sexta-feira, 13 de junho de 2008

Despindo, despedindo...

Resolvi, ontem, abandoná-la.
Mais que isso, descobri que nossas trilhas jamais se confundiram, ela me foi muleta em todos os sentidos, ora eu a arrastava, ora ela me levava em seu dorso.
Todas as vezes que me deixei carregar, caiam-me preciosidades...
Perdi muito, de tanto lhe montar o dorso, cheguei a duvidar da existência de minhas pernas, acho que por isso ganhei medo de dançar e dançar.
A consciência da vida em circulo e em teias me arrebatou de sobressalto, pois ela podia fazer desenhos sobre minhas pegadas, mas não sobre as próximas ocasiões.
Fiquei em concha, mas agora não mais, quero saber o que se me revelam os búzios!
Fazia parte da promessa de não deixar de acreditar, mas a dor e o medo turvam tudo.
De tão amochada estava quebrando o que não faz sentido
Os vergões na carne fizeram-me abstraí-la, vem então seu moço e me fala do equilíbrio entre eles: corpo e alma.
Deixando meu templo penar e minha alma voar tornei-me desinteressante, pois tentei separar quem não vive sem o outro, um quase morreu e o outro ficou sem rumo...
Com um pouco de sorte todos serão nuvens e, de lá da minha ilha, até que ficam bem quando em seus devidos lugares...
Todos aqueles fantasmas enfrentarei, um a um, mesmo que quixotescamente, não mais me desviarei de nenhum.
Vou redesenhá-los e fazê-los mais bonitinhos, agradáveis a mim e ao mundo.
Falo com esta voz de criança, pois é assim mesmo que me sinto sem este monte de roupas, foi exatamente lá que fiquei muito tempo esquecida.
Já lhes falei sobre a folha de palmeira?

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