domingo, 15 de junho de 2008

Sutil

Confesso que não quero ler o que está escrito, preferia redesenhar misturando suas letrinhas, aí já é a esperança que me move, mas sei de antemão que não se pode desejar coisas impossíveis.

Fui procurar apoio naquelas insistentes que me acompanhavam outro dia, já evaporaram, mas deve ser primavera em algum lugar do mundo, esta é minha ilusão!

Aos que escrevem com sentimento, impossível não deixar uma gota de sangue em cada texto, senão é ser somente poeta.

Se o preço a pagar for este, morrerei prematuramente, pois não concordarei jamais com isso...

Cada um tem sua própria ilusão, circunstância inventada para que a sobrevida se faça, uns acreditam na unidade e no indivíduo, outros no auto-alimento, há ainda aqueles que despejam um pouco em tudo e saem colhendo, insisto novamente na essência e o motivo, mas parece que realmente tudo ficou esquecido.

Sobreviver, a despeito de, é o que me arranca mais uma camada.

Ficar por aqui é cruel demais e remete para tudo o que não quero, entendo melhor e sou menos compreendida.

Ao que se apresenta: pânico. Disfarço.

E, daqui, meu suplicantes olhos, esperando o milagre, ficam com torcicolo de tanto olhar para ver se chega.

Há os que me vejam como rocha e os que simulam ver o que sou.

Não sou dada a ficar aqui do lado de fora, mas é este meu exercício atual.

Dispositivos para viver.

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