sexta-feira, 20 de junho de 2008

Solidão

Vem chegando, noite alta.
Desembarco, ainda inundada pelo glamour da viagem insólita
Ao descer, entretanto, dei-me conta de ter comigo apenas um par de pés...
Radiante pensei poder caminhar pelas ruas impunemente...
Aos amigos que passavam apressadamente rogava-lhes a companhia singela, meus tacões desenhavam a marcação, mas isso a ninguém interessa.
Houve até quem se compadecesse e se rendesse minimamente ao compasso imprimido, mas nada que durasse tempo suficiente para o abrigo.
Poderia descrever-lhes um a um, contudo, a eles, talvez não passasse de um tempo lento e disritmado, típico daqueles seres solitários que hora voam alto noutras repousam os pés de leve para poder apreciar
Poderia comemorar ao encanto infinito, mas de brusco me arrancaram os sonhos sem sentido
Materializei néctar em cálices de vinho, mas não escapei dos efeitos do martírio.
Sem outra opção, pedi a um amigo, leve-me por favor em sua carruagem, pois não demora o encanto será desfeito.
Não podia acordar do que para mim era real, mas o sonho que não é meu despertou-se.
Depois querem saber o motivo pelo qual elas, as fadinhas, desvanecem...

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