domingo, 1 de junho de 2008

Súplica do Sapo


Agora estou abrigada pelo desconforto do sentimento de culpa, por que será que eles existem?
A mágoa não sei mais se ela é minha ou sua, só sei que desde que ela fez vez em nossas vidas um monte de faltas estamos cometendo. Hoje penso que algumas coisas estão irremediáveis, como a falta de diálogo e contato, pela distância que nos separa, mas esta distância que muitas e muitas vezes transpúnhamos dentro de uma pilha de pneus no porão, hoje é infinitamente grande para minhas projeções.
Engraçado que, apesar dos pesares tenho uma confiança cega em você, daquelas pautadas em tempos que cada vez mais desbotam-se da memória.
Faltam-me forças e visão para voltar a procurar e vislumbrar a trilha onde perdemos nossa cumplicidade e unidade, é como se estivessem presentes todos os ingredientes para o bolo mas não sei onde está a receita.
Jogo tudo dentro do caldeirão, lanço lá toda a nossa capacidade de amar, derramo sobre tudo um choro sentido, brilha e rebrilha e só sai pirita...
É a vida, é a vida! É não, não é, não pode ser! Muita cobrança e ironia, reprovação, medo. E amor? Não?
Acho que vou voltar lá na pilha, usar de minhas ultimas energias, para ver se viajando consigo achar novamente você e sua luz...
Será que deteriorei a tal ponto e fiquei ofuscada pelo seu brilho? Pois é certa e indubitável a luz que pressinto. Talvez tenha crescido e eu me esquecido? Não sei, só sei que daqui de onde estou não lhe vejo mais, não lhe toco mais, não lhe alcanço, resseco um pouco todo dia, desidratando pelos olhos e pela alma.
Deve ser culpa da minha miopia que leva você para longe um pouco mais a cada grau de dioptria.
Volta!!! Volta!!! Volta!!! Escuta essa voz abafada pelas engrenagens da vida...
Só tenho um argumento: Te amo um pouco mais a cada dia!
Leio e releio, penso e critico, está tudo tão dolorido que talvez só consiga mesmo arrumar mais alguns centímetros...
O tormento do medo é o pior que se pode ter como sentimento. Não estou tendo força nem visão para dele me despir, como um sapo querendo convencer o príncipe a lhe dar um beijo, cheio de verrugas e brotoejas, asqueroso e nojento.
A única magia que pode quebrar esse encanto maldito é aquela advinda da crença de que ainda valemos a pena, por favor não me engula, apenas me arranque dessa forma que tanto temo e é meu pior pesadelo.
Preciso do verde sim, mas não ser, somente ter um tiquinho! Não me condene ao resto da vida do verde!

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