sábado, 14 de junho de 2008

Necessário

Aos que saem e se vão, a paisagem lhes cai como remédio e os ventos como anestésico.

Aos que ficam resta-lhes a dor do espaço aberto e nenhum sopro de alívio, é como uma vertigem.

Eles, os que ficam, possuem esta característica da elasticidade, como o ventre materno, mas o tempo é outro, diferente daquele dos que saem.
Onde está o desequilíbrio nisso? Está em não ser sempre útero, é também preciso ser feto.
A dor, dilaceração e hemorragia unilaterais, se constantes, desnutre e causa anemia, é necessária a nutrição placentária também.
Há muito mar e pouco porto, mas quem é porto também precisa aportar e é esta surdez que nos aflige, pois bóias não são raízes, os píeres também sabem voar.
Por isso eles, navegantes ou voadores, deleitam-se naqueles em quem, ao depois, deixam seus vazios, sem saberem que a fome que lhe saciam também existe lá.
Pode-se dizer que é da natureza de um e de outro ser porto ou aportar, mas replico num grito e nada ouvem, não é isso, não é vida, é somente o que se me dá.
O que se ouve e o que se vê, quase sempre, é o que se quer, não adianta mostrar, mas insisto: sua sede não pode sempre prevalecer ou ser vencida.
Refoge-lhes a necessidade simbionte dos indivíduos, criaturas dentro de invólucros únicos e originais, ignoram suas essências e o motivo, pondo-se avidamente somente a chuchar.


A paz do porto é merecida por todos e, se vez por outra um lado não for o outro, logo todos teremos somente o mar.
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